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Os artigos e informações aqui contidas visam tão somente tornar as pessoas mais conscientes de si; seguras na busca do entendimento sobre o mundo, os fatos, as pessoas; acreditem mais na construção de um mundo melhor e na beleza da criatura humana. Bom proveito !

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sábado, 3 de março de 2012

CONVERSANDO COM QUEM ENTENDE

Entrevista com Rosalind Wiseman - Revista VEJA

Faixa-preta no caratê, a escritora americana, Rosalind Wiseman, dava aulas de defesa pessoal para garotas em Washington, capital dos Estados Unidos, quando se impressionou com as conversas das adolescentes sobre os constantes abusos físicos e psicológicos que sofriam ou infligiam a colegas na escola, o bullying. Interessou-se pelo assunto, aprofundou as conversas e hoje é uma das maiores especialistas nesse triste fenômeno. Em 2002, escreveu Queen Bees and Wannabes (Abelhas-Rainhas e Aspirantes, em tradução literal), um guia para pais, educadores e alunos sobre como lidar com a crueldade com que as meninas populares da escola (as “abelhas-rainhas”) tratam as colegas que aspiram a ser como elas. Best-seller instantâneo, o livro serviu de base para o enredo do filme Meninas Malvadas. Aos 42 anos, mãe de dois filhos, Rosalind, formada em ciência política, dedica-se a escrever livros e colunas e a dar palestras em que expõe, com exemplos muito concretos e didáticos, a prática do bullying e ensina a prevenir e atenuar seus efeitos. Preparando-se para sua primeira viagem ao Brasil — onde fará palestras na Escola Americana, em São Paulo, entre 12 e 14 de março—, ela falou a VEJA. A entrevista foi publicada na edição № 2258, de 29.02.2012. Por ser de grande valor para a educação, transcrevo na íntegra.


Destaques da entrevista.

−A escritora americana especialista em bullying diz que crianças e adolescentes que agridem e humilham colegas são acobertados em casa — e que as escolas em geral se omitem.

−Os pais e os educadores são frequentemente tomados de um sentimento de profunda impotência que os mantém paralisados. É preciso de uma vez por todas tirar os jovens da posição de comando.

−Ouço muito nas escolas que elas estão, sim, em plena cruzada de combate ao bullying. Mas isso não costuma se traduzir em nada verdadeiramente efetivo.

−Enxergo um aspecto positivo na atual geração de pais, que vive em busca de relações mais abertas, francas e afetivas com seus filhos. Os problemas começam quando essa tentativa de estabelecer um laço mais autêntico resvala para uma situação completamente absurda em que por nada no mundo a criança pode ser contrariada ou se sentir minimamente desapontada.

−O que preocupa é a dificuldade de enxergar as nuances entre a tirania e a amizade. Em muitos dos lares, por assim dizer, modernos, no lugar de noções básicas de hierarquia e limites, o que as crianças e adolescentes acabam obtendo dos pais é apoio incondicional, quando não conivência — inclusive para com os maus modos e os eventuais episódios de agressão que protagonizam fora de casa.

− Alguns até bradam: “Quem se meter com meu filho está se metendo comigo também”. E um instinto de proteção cego, irracional. Mesmo alertados pela escola e por outros pais, eles se recusam a ver e a ouvir o óbvio. Estão se furtando assim à tarefa de dar uma boa educação aos filhos.

−Observando as famílias das crianças que costumam liderar o bullying, descobri um padrão comum à maioria. Em geral, elas vêm de ambientes em que os próprios pais não lidam bem com as diferenças. Costumam supervalorizar características físicas e psicológicas universalmente aceitas e desconfiar de quem destoa delas.

−O bullying nada mais é do que uma demonstração exacerbada da aversão às diferenças.

−As crianças e adolescentes estão recebendo estímulos para parecer mais velhos do que são, mas, infelizmente, não mais maduros.


O bullying está fugindo ao controle dos pais e das escolas? Conflitos em que ocorre abuso de poder e força para demarcar território são tão antigos quanto a própria espécie humana. Não estamos, portanto, diante de um fenômeno moderno, como alguns apregoam. Por outro lado, há, sim, certos aspectos da sociedade em que vivemos que conferem ao bullying feições particularmente cruéis e é isso que o torna mais difícil de ser controlado. A principal mudança está na internet, com a qual a atual geração de crianças e adolescentes mantém uma relação quase que visceral. É justamente ali, onde constroem sua identidade e seus laços de amizade, que eles começam a se ver alvo de humilhações capazes de se difundir por toda a escola em questão de horas. O problema passa a ganhar uma escala que nunca teve antes, enchendo a vítima de vergonha, solidão e medo. Os pais e os educadores, por sua vez, são frequentemente tomados de um sentimento de profunda impotência que os mantém paralisados.

A senhora está dizendo que as escolas não estão sabendo lidar com os casos de bullying? Minha experiência mostra que a maioria não encara esse problema como sendo também seu, prova de uma visão ainda antiquada sobre a educação. Nos últimos anos, a internet demoliu certas fronteiras físicas de forma avassaladora, como a que separava a casa da escola, mas muitos educadores continuam alheios a isso. Eles se esquivam de suas responsabilidades, limitando-se a dizer apenas que “o caso não aconteceu dentro da sala de aula, me desculpe, estamos de mãos atadas”. Pois, ao ignorarem a questão, dão sinal verde para que os agressores sigam adiante, seguros, e com razão, de que não serão punidos. Aqueles que são alvo das intimidações passam a odiar profundamente o colégio, onde não recebem o mais básico: segurança. Ouço muito nas escolas que elas estão, sim, em plena cruzada de combate ao bullying. Mas isso não costuma se traduzir em nada verdadeiramente efetivo. Toda essa discussão acaba por chamar atenção para uma enorme fragilidade que vejo na instituição escolar, nos Estados Unidos e em outros países.

A que fragilidade a senhora se refere? Varias escolas até tentam, mas não conseguem garantir um ambiente minimamente favorável ao aprendizado. Isso porque uma turma de educadores está se furtando à tarefa fundamental de estabelecer regras de bom convívio, divulgá-las a todos e fazê-las cumprir com rigor, castigando, em alguma medida, aqueles que as infrinjam. É preciso de uma vez por todas inverter a lógica segundo a qual são os jovens que estão no comando. O problema, evidentemente, não se restringe ao ambiente escolar. Ele começa em casa. Só que muitos pais preferem manter-se cegos a agir como deveriam.

É um traço típico dessa geração de pais? No grau em que se manifesta, sim. Enxergo um aspecto positivo na atual geração, que vive em busca de relações mais abertas, francas e afetivas com seus filhos. Querem contrapor-se aos próprios pais, bem mais distantes e rígidos. Os problemas começam quando essa tentativa de estabelecer um laço mais autêntico resvala para uma situação completamente absurda em que por nada no mundo a criança pode ser contrariada ou se sentir minimamente desapontada. O que preocupa aí é a dificuldade de enxergar as nuances entre a tirania e a amizade. Em muitos dos lares, por assim dizer, modernos, no lugar de noções básicas de hierarquia e limites, o que as crianças e adolescentes acabam obtendo dos pais é apoio incondicional, quando não conivência — inclusive para com os maus modos e os eventuais episódios de agressão que protagonizam fora de casa.

Os próprios pais acabam sendo condescendentes com o bullying? Exatamente isso. Existe um grupo, e com certeza não é pequeno, de pais que se arvoram em defesa dos filhos incondicionalmente, qualquer que seja a situação, ainda que às vezes não tomem consciência disso. Alguns até bradam:
“Quem se meter com meu filho está se metendo comigo também”. E um instinto de proteção cego, irracional. Mesmo alertados pela escola e por outros pais, eles se recusam a ver e a ouvir o óbvio. Estão se furtando assim à tarefa de dar uma boa educação aos filhos.

Como deveriam agir nesses casos? Como adultos. Eles devem não só assumir como enfatizar o problema, advertindo a criança, punindo-a prontamente quando preciso e procurando a escola, se esse for o caso. É básico, mas não tão comum. Vou além na crítica que faço. Muitos pais acabam não apenas agindo como cúmplices juvenis de seus filhos como também dando o mau exemplo em casa. Depois de tantos anos nesse campo, estou convencida de que tratar mal o outro, tentando se sobrepor à base da força e do medo, não é apenas um instituto humano, mas também um comportamento cultivado e assimilado socialmente.

Como isso ocorre? Não é tão óbvio, mas sutil. Observando as famílias das crianças que costumam liderar o bullying, descobri um padrão comum à maioria. Em geral, elas vêm de ambientes em que os próprios pais não lidam bem com as diferenças. Costumam supervalorizar características físicas e psicológicas universalmente aceitas e desconfiar de quem destoa delas. Eles reforçam, por exemplo, o ideal de magreza que tanto preocupa as crianças e adolescentes de hoje — inclusive os magros que querem ficar cada vez mais esbeltos. É curioso que esse tipo de manifestação preconceituosa aparece até mesmo naquelas famílias de gente muito lúcida, de forma quase invisível. Mas a mensagem está lá. O bullying nada mais é do que uma demonstração exacerbada da aversão às diferenças. Escuto muito pais criticando uns aos outros. É como um esporte nacional. Está claro que falta um olhar mais realista sobre si próprios.

O que a família pode fazer para ajudar os filhos quando eles é que se tornam o alvo das agressões? No afã de vê-los aceitos socialmente, são justamente os pais que muitas vezes os incentivam a tomar parte de grupos que, acreditam, podem lhes conferir status. Para tentar se integrar, a criança passa a bajular os que têm mais poder e prestígio na turma, mesmo sendo alvo de chacotas e humilhações. Os pais devem incentivar os filhos a cortar esse laço, no lugar de lutar por ele desesperadamente. É um primeiro passo para resgatar a autoestima, destroçada nesses casos. O bullying costuma impingir um sofrimento solitário e silencioso. A criança passa a isolar-se e a odiar a escola. A situação demanda sensibilidade dos adultos para perceber o que está se passando a sua volta e romper o silêncio.

Por que elegeu o universo feminino como campo de estudo de seu primeiro livro sobre o assunto? As meninas podem ser mais cruéis entre si do que os garotos. Elas têm uma compreensão muito clara sobre como a outra se sente e, com isso, conseguem ferir-se com requintes de maldade. Na adolescência, criam uma severa hierarquia no grupo, pautada por aquilo que vestem e possuem e também pela maneira como se expressam e se posicionam. São regras invisíveis, que se fazem perceber da pior forma possível — quando alguém as quebra e é punido por isso. As meninas se policiam umas às outras o tempo todo e costumam ser implacáveis com quem transgride. Praticam uma agressão de fundo mais psicológico, mas profundamente dolorosa, segundo relatos que venho colhendo ao longo desses anos de trabalho nas escolas. Muitas pessoas ainda se espantam quando trato dessas coisas. Preferem trilhar o caminho mais fácil, o do politicamente correto, a falar abertamente e ajudar.

Há uma idade em que as crueldades são mais comuns? Demonstrações de crueldade não têm idade para vir à tona. Elas podem surgir bem cedo, restando aos pais a dura e inadiável missão de encará-las. É natural que a maioria prefira vir à luz festejar os avanços ou os grandes feitos de sua prole. Mas, às vezes, o assunto é muito mais complicado e menos prazeroso. Não quer dizer aí que os pais tenham fracassado em seu papel de educar. Fujo desses dogmas. Mas lhes cabe uma óbvia reflexão sobre se os incentivos que estão dando em casa têm sido os mais apropriados.

Qual é a sua resposta a esse dilema? Existe uma moda por aí da qual discordo com veemência. As crianças e adolescentes estão recebendo estímulos para parecer mais velhos do que são, mas, infelizmente, não mais maduros. Não é só a roupa, ou o batom, mas a maneira como se portam e agem. Sinto uma angústia ao observar como se abreviam a infância e a própria adolescência em nome de idéias profundamente vazias na essência. Ao resvalar para isso, a lição crucial da tolerância diante das diferenças fica de lado. Nesse caldo equivocado de cultura, não espanta que o bullying se perpetue entre os jovens. Evidentemente que não é só a família que provê os incentivos equivocados, embora, de novo, ela tenha uma contribuição decisiva. Muitas vezes, são os pais que transformam os filhos naquilo que costumo chamar de “mininarcisos”, com a vaidade exacerbada e em permanente culto a si mesmos. O adolescente recebe hoje o maior de todos os privilégios da vida adulta — a liberdade — mas nenhuma das obrigações que vêm com a idade madura.

Falta também impor limites no uso de tecnologias? Sim. Sou uma entusiasta da internet, mas acho que, se não for bem usada, pode incentivar o vazio intelectual mais do que criar gente curiosa e pronta para refletir sobre o mundo em que vivemos. Por isso, especialmente no caso das crianças mais novas, o acesso à rede deve ser feito com orientação em casa. Navegar de forma produtiva, sem correr riscos desnecessários e extraindo o melhor da web, é um aprendizado. Tenho chamado muito a atenção de pais e educadores para a facilidade com que as crianças conquistam hoje artigos como tablets e celulares. Perdem e ganham um novo na mesma hora. É como se fosse um direito. Mas não deve ser assim. Estamos diante de um privilégio, e dos bons. Essa é a idéia que deve ser pavimentada.

Ainda que não reflita a realidade, o sentimento de dever não cumprido por parte dos pais é uma constante. Como combatê-lo? Antes de tudo, sou uma defensora de que essa atual geração se liberte da eterna culpa que a acompanha. Os pais têm culpa porque se divorciaram ou porque trabalham demais. Culpa porque querem manter uma vida própria e independente das questões maternas ou paternas. E culpa ainda porque às vezes, como são humanos, sentem raiva dos filhos quando eles se comportam mal ou os envergonham. Justamente movidos por esse sentimento de que não estão suprindo as necessidades dos filhos à altura de suas gigantescas expectativas como pais, acabam fazendo concessões muito além da conta. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os brasileiros estão lendo mais

O Brasil está mudando. A sociedade vem amadurecendo a cada instante. Além da estabilidade e do crescimento da economia, as instituições e as comunidades estão mais poderosas, portanto, mais atuantes. O Brasil não é mais só Governo. Este é apenas parte dele. Isso não significa que está tudo bem. Temos ainda muito dever de casa para ser feito. Mas, com certeza, o Brasil está melhorando a cada dia, de forma séria, equilibrada e com determinação.

Na postagem anterior, foi apresentada a grande diminuição nas mortes violentas durante o período de carnaval. Em todas as rodovias brasileiras, a redução foi de 18,5%. Nas rodovias e cidades do Ceará, a redução de toda espécie de morte violenta, foi de 29,8%.

Agora, foi divulgado pela Revista Veja, edição 2258, de 29.02.2012, o resultado do censo encomendado pela Câmara Brasileira do Livro ao Ipea. Os dados e a reportagem sobre o assunto estão resumidos a seguir:


  1. O número de exemplares impressos no Brasil bateu em quase 550 milhões, com o crescimento de 23%.    
  2. Apesar da média de leitura no Brasil ainda ser baixa, 1,8 livros per capita por ano, a alta taxa de crescimento do setor editorial brasileiro é fator de esperança.
  3. Aumenta e muito o número de pessoas que leram o primeiro livro.
  4. Qualquer livro pode ser uma faísca para acender o fogo da curiosidade e abrir uma clareira acolhedora para o enriquecimento do mundo interior.
  5. A leitura é o prazer mais duradouro, aquele que resiste quando todos os demais acabam.
  6. O crescimento do número de escritores brasileiros vem aumentando de forma impressionante, inclusive marcando forte presença na listal dos autores de obras com grande sucesso em todo o mundo.
  7. O Brasil está se transformando em um país de leitores e autores.


O livro brasileiro está mais barato e os consumidores estão comprando mais exemplares.
Como disse, trata-se apenas de um resumo. A intenção é mostrar que o Brasil está mudando em todos os aspectos, inclusive no literário. Vamos, pois, ler mais e incentivar a leitura. Ela faz bem a alma e engrandece as pessoas.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Carnaval 2012 - Dados favoráveis

Quem leva a sério e analisa o comportamento social, sempre se preocupa com os feriados longos, principalmente quando se trata do carnaval. Isso porque, nesse período, os acidentes e mortes violentas se multiplicam.
Com esse sentimento, foi postado neste blog, nos dias que antecederam o carnaval, um artigo e uma sugestão de campanha, ambos clamando por uma conduta responsável e equilibrada no decorrer dos feriados.
É animador constatar que muitas outras pessoas fizeram algo para suavizar os incidentes nesse período e tentaram convencer a todos da possibilidade de um carnaval saudável. Boa parte das entidades públicas e privadas também  trabalharam com afinco para conscientizar as pessoas a se portarem bem, agindo como cidadãos educados.
Passado o carnaval, como sempre, os dados das ocorrências são divulgados. Eis que, para deleite espiritual e satisfação social, os números divulgados foram animadores, considerando a sua redução em relação aos dados do ano anterior. É pena que a mídia não dê o destaque que merece. Se fosse desfavorável, os dados seriam, com certeza, colocados na primeira página e com letras bem grandes. Mas, deixa para lá, agora a ênfase é a beleza dos dados de 2012, que a seguir é transcrito, para o seu contentamento.   

Número de mortes em estradas federais no Carnaval cai 18,5%, diz PRF
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirmou que o número de mortos em acidentes nas estradas federais durante o Carnaval caiu 18,5% de 2011 para 2012. Neste ano, foram 176 mortes, contra 216 do ano passado, considerando o período da meia-noite de sexta-feira (17) à 23h59 da quarta-feira (22). Segundo a PRF, o número de acidentes também caiu, de 4.312, em 2011, para 3.345, em 2012, uma redução de 22,4%.
Dados apontam que no Ceará, número de mortes violentas no Carnaval cai 29,8%.
REDUÇÃO DE 29,8% DAS MORTES VIOLENTAS NO CEARÁ.  (2012: 58,  2011: 83,  2010: 87) 
       Em 2012  -   12 vítimas de trânsito  -  em 2011 foram 11   -    em 2010 foram 31
       Em 2012  -   10 por afogamento      -   em 2011 foram 12   -    em 2010 foram  9
       Em 2012  -   31 homicídios                -   em 2011 foram 53   -    em 2010 foram 41
       Em 2012  -     - suicídios                    -   em 2011 foram     2   -    em 2010 foram   3
       Em 2012  -     5 queda, choque...     -   em 2011 foram     5  -     em 2010 foram  3

Vamos trabalhar para que em 2013 os dados sejam também favoráveis.
               É assim que se constrói um mundo melhor.
É dessa forma que uma sociedade se torna pacífica e cultiva a paz.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Rivalidade entre irmãos

Ao longo dos trinta e oito anos que trabalho com educação, inúmeras vezes me deparei com pais aflitos e inseguros por constatarem rivalidade entre seus próprios filhos. Rivalidade essa que muitas vezes resultava em briga entre si. Essa aflição e insegurança têm sua razão de ser. Na verdade, almejamos para nossos filhos um relacionamento lindo e maravilhoso com todas as pessoas, principalmente com os próprios irmãos. Daí porque, mesmo que ainda sejam crianças, a situação incomoda, aumentando quando perdura na fase da adolescência. Diante desses pais, minha postura sempre foi de suavizar a angústia e o sofrimento. Apesar de minha experiência no trato do problema, nunca escrevi sobre o assunto. Ao folhear o Jornal O Povo, chamou-me a atenção um artigo com o título acima, escrito por LUANA ANDRADE, Psicóloga, Psicodramatista, Psicoterapeuta, Especialista em Terapia Familiar, em Psicologia Clínica e em Psicologia Escolar. Adorei o artigo. O assunto foi tratado de forma equilibrada e competente. Por entender que o tema é de grande valor para as famílias, achei por bem postar no meu blog. Para tanto, pedi autorização à autora, que gentilmente concedeu, adicionando, inclusive, frases sobre o assunto e recomendação de um livro. Eis o texto para o seu conhecimento. Tenha bom proveito.

O nascimento de um novo filho faz com que a família passe por uma reestruturação, experimentando sentimentos que até então não estavam presentes e com os quais agora precisará lidar. O ciúme, que promove disputas e rivalidades, geralmente se faz presente nessa hora. Pode-se dizer que a rivalidade fraterna começa logo no momento que o segundo filho nasce. Por mais que se gostem e se dêem bem, os irmãos sempre tem uma certa dose de rivalidade entre si. Eles realmente precisam dividir tudo: a casa, a televisão, os brinquedos e principalmente o amor e a atenção dos pais. Embora, a princípio, essa situação pareça difícil, é um momento rico para o aprendizado, pois certamente em outros momentos a habilidade de lidar com o ciúme será requerida. É importante que os pais evitem promover mais mudanças nesse período, pois o filho já tem muito para digerir. Justamente por isso, não é aconselhável iniciar o processo escolar nessa fase, pois a adaptação à escola poderá ser prejudicada. Os pais precisam dar espaço para que as crianças falem livremente dos seus sentimentos de ciúme, raiva, inveja, pois estes, quando aprisionados, abrem espaço para o ressentimento, a mágoa, a ansiedade. Ao saber que podem extravasar de forma adequada o que sentem, as crianças se permitem reconhecer em si mesmas tais sentimentos e podem substituí-los por outros. Os pais devem evitar fazer comparações entre os filhos, pois esses comentários geralmente são extremamente nocivos, criam situações de conflito e interferem diretamente na autoestima de um dos envolvidos, além de ferir o princípio básico de que devemos respeitar as diferenças. Os pais também devem deixar claro que cada filho é especial e valorizar as características de cada um, buscando sempre destacar as potencialidades que eles apresentam. Devem procurar não intervir em brigas, dando a chance de que eles próprios consigam se entender. E, principalmente, devem evitar dar sempre razão ao mais novo, cobrando do maior que entenda o pequeno em qualquer circunstância. A rivalidade entre os filhos é inevitável, mas pode ser controlada com o estabelecimento de uma relação aberta e compreensiva por parte dos pais.

Frases:
“A rivalidade entre irmãos deve ser entendida como um sofrimento que a criança manifesta com o nascimento do irmão mais novo e a melhor maneira de combater é através do afeto, da conversa, da compreensão e da atenção.” Brazelton Berry

“Alguma rivalidade é natural, mas sem exageros, quando não exacerbada, contribui e impulsiona no fortalecimento do vínculo, do afeto, da parceria.” Margareth Volpi

Livro: Entendendo a Rivalidade Entre Irmãos
As provocações, as discussões, a competição e as brigas ferozes entre irmãos e irmãs podem levar qualquer pai ou mãe ao desespero. O Drs. Brazelton e Sparrow indicam que, ao mesmo tempo em que isso ocorre, os irmãos estão aprendendo uns com os outros, e relações profundas e íntimas estão sendo formadas, as quais se estenderão por toda a vida. Os autores mostram como os pais podem acalmar várias das brigas, enquanto ajudam a fortalecer relações amigáveis. 


José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Haja paz na terra neste carnaval




No período do carnaval é comum desentendimentos e acidentes. Tudo fruto do exagero de parte dos que participam. Esse quadro pode ser evitado!  Basta uma boa dose de orientação e apelos para prevalecer os cuidados na estrada, nas praias e nas brincadeiras. Podemos ter um carnaval tranquilo e de MUITA PAZ. Faça algo nesse sentido. Não deixe passar essa oportunidade.  Você poderá estar salvando vidas ou evitando muitos dissabores.


Leia um pouco sobre o movimento de paz iniciado por jovens americanos em 1955 e que se expandiu                                                      pela Europa e o mundo inteiro. Desse movimento surgiu a música “HAJA PAZ NA TERRA, A COMERÇAR EM MIM”.
                      Vale a pena conhecer a grandeza da letra e a beleza da música. Atente para a sua mensagem e conheça o efeito dela na vida de muitos jovens e adultos do mundo inteiro. Tudo tem muita relação com o que se propõe no texto acima.
Veja como surgiu: Era verão,1955. Um grupo de jovens acampantes de diversas raças e grupos religiosos tinha um grande desejo: ver a paz mundial. Braços dados cantaram um cântico, escrito naquele ano, que comunicava perfeitamente o que estava nos seus corações: “Haja Paz na Terra, a começar em mim”. Descendo da montanha, esses jovens começaram a compartilhar este cântico. Como se tivesse asas, Haja Paz na Terra começou uma viagem maravilhosa ao redor do globo. Foi cantado em organizações de todo o tipo, em reuniões de igrejas. Foi gravado, copiado, impresso, passado de boca em boca. Atravessou os Estados Unidos. Ganhou medalhas e honrarias em 1958 e nos anos seguintes. Continuou a ser hino-tema de muitas ocasiões cívicas no país. Foi para a Europa, Oriente Médio, América do Sul, Ásia, África e Austrália e as ilhas do Pacífico. Foi usado num programa da Cruzada para a Paz e num filme para o Japão.
Mais sobre o carnaval no artigo “Carnaval: Seus Encantos e Preocupações”.


José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Quem nos corrige?

Até certa idade somos corrigidos por nossos pais. Quando criança, ao errarmos, recebemos deles a explicação, a correção e, às vezes, a punição. E aí aprumamos o nosso barco, seguimos o caminho certo. E assim que somos criados. Se não todos, pelo menos uma boa parte.
Todavia, chega o tempo que já não temos ou não mais aceitamos a figura dos pais como orientadores. O passar da idade nos faz adultos e, como tais, responsáveis pelos atos que praticamos. Certos ou errados dirigimos a nossa própria vida. Atingimos a chamada fase da autonomia.
Sendo a sociedade dirigida por jovens adultos ou adultos plenos, que mecanismos dispomos para orientá-los quando estão errados? Via de regra, como adultos, sentimo-nos amadurecidos e não queremos receber ajuda de ninguém. Nem como orientação, muito menos como advertência.
Ficamos sozinhos, a procura de caminhos ou alternativas para seguirmos a caminhada que nos leve ao porto do acerto e da felicidade.
Por muito tempo foi usado pelo adulto a figura do ancião como conselheiro, visto que, pela idade, ele já possuía experiência suficiente para orientar os mais jovens. Foi assim por muito tempo e a história aí está mostrando a figura dos sábios, ao lado dos grandes reis.
Hoje, porém, isso não é mais possível Os costumes mudam tão rapidamente que a experiência do mais velho já não serve, uma vez que a realidade já não é mais a mesma. Isso nos faz distantes dos mais experientes e por via de conseqüência ficamos mais expostos a aventuras desagradáveis.  Claro que essa rapidez de mudança não justifica a distância, uma vez que as experiências vividas, embora em épocas diferentes, tiveram por base os mesmos princípios que norteavam a decisão. A análise das experiências do meu avô ou de meu pai, no enfrentamento dos desafios da vida, serve para mim, porque para ele o problema enfrentado era tão grande quanto ao meu hoje. A diferença está apenas nos detalhes e na forma como ocorreu, mas semelhantes em noções e princípios de vida. Aplica-se aqui a ótica de Shakespeare: “Briga-se por uma palha, quando isso vale um princípio”
 Mas, quando erramos, quem vai nos corrigir?
 Se no serviço, o nosso chefe?
Se no trânsito, o guarda?
Se na escola, o professor ou a direção?
Se na fé o padre ou o pastor?
Se na profissão, o cliente ou o paciente?
Se na sociedade, a lei?
Se em família, o cônjuge, os filhos ou outros parentes?
E se for dirigindo um bugre na praia onde freqüenta muita gente? Ou se for comandando, sem o devido cuidado, uma navegação com muitos passageiros e tripulantes? Se for desmatando a Amazônia ou destruindo plantas na cidade? Se for dirigindo uma empresa sem ligar para o equilíbrio entre o capital e o trabalho? Se for dirigindo um órgão público sem a seriedade que o cargo requer? Se for construindo, sem os cuidados necessários, um prédio onde vai morar ou trabalhar pessoas? Se for na vida a dois, sem o respeito que o bom senso recomenda?
Quem corrige o adulto? Ele mesmo, alguém próximo ou a sociedade?
Vivemos uma época em que realmente não sabemos com certeza quem vai corrigir as falhas dos adultos e os desmandos que diariamente vemos em nossa sociedade. Alguém mais simplista pode dizer: O governo! Mas não, enquanto apenas governo, pois, se assim fosse, não teríamos erros constantes, uma vez que sempre tivemos governo. Pode o governo, porém no sentido mais amplo e legítimo, incluindo os demais poderes e órgãos, ou seja, no sentido de representante nosso naquela função. Se juiz, em nosso nome para julgar; se prefeito, em nosso nome para administrar; se deputado, em nosso nome para legislar; se inspetor de saúde, em nosso nome para zelar pela saúde; se chefe de segurança, em nosso nome para nos dar segurança; se líder sindical, em nome da categoria para defender seus direitos. Nós somos a sociedade, nós fazemos o governo, o poder público. Por esta razão, nós é que nos corrigimos. Nós é que corrigimos o outro. Nós é que criamos o caos e nós é que temos de transformá-lo em ordem.
Chegamos assim a uma valorosa e preocupante conclusão de que nós mesmos somos os principais responsáveis pela correção de nossos erros. Essa verdade aumenta e muito a nossa responsabilidade, pois ninguém, a rigor, pode fazer isso em nosso lugar. A não ser, claro, que utilizemos da salutar escolha de alguém que nos socorra e nos dê uma luz. A verdade é que devemos reconhecer nossos erros e nos corrigir. Reconhecer os próprios erros é muito bom! Aceitar a correção por parte de alguém ou com ele aprender algo, é um ato de sabedoria. Proteger a sociedade e as pessoas de serem vítimas do erro de alguém é um ato de cidadania. Assim procedendo, estaremos trilhando o melhor caminho para um mundo melhor e uma sociedade mais feliz. 



José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Irresponsabilidade em cadeia

Fomos surpreendidos recentemente com dois acidentes, um no mar e o outro em terra. No mar aconteceu bem próximo à Ilha de Giglio, na Itália, quando um Cruzeiro, conduzindo quase cinco mil pessoas naufragou, após colidir com uma rocha. Em terra, o acidente ocorreu na Cidade Maravilhosa, nosso querido Rio de Janeiro, com o desabamento de três edifícios, bem no centro da cidade. Em ambos os episódios ficou muito evidente a falha humana, ou melhor, a irresponsabilidade praticada por quem deveria ter evitado os referidos acidentes. Não pretendo focar aqui as falhas ocorridas no acidente na ilha da Itália, mas tão somente as ocorridas no nosso solo. O prédio desabou por causa de uma cadeia de irresponsabilidade praticada não só por uma, mas por diversas pessoas envolvidas com a obra. E o fizeram de forma orquestrada, uma verdadeira sinfonia de irresponsabilidade. Iniciou-se com a equipe de construção, composta por vários engenheiros e empresários do ramo. Eles projetaram a construção de um prédio de 10 andares e construíram a base para erguer 10 andares. Depois, a equipe resolveu ampliar para 13 e em seguida para 15. Todas as etapas, para o nosso espanto, foram devidamente autorizadas pelo órgão público municipal. Isso significa que as alterações, irresponsavelmente sugeridas, receberam o aval e foram legalizadas, por  uma equipe composta de fiscais, técnicos e dirigentes, todos encarregados de proteger a sociedade dos perigos de uma obra irregular. Anos depois, não podia acontecer outra coisa a não ser o seu desabamento, causando simultaneamente, a queda de dois prédios visinhos. Irresponsabilidades semelhantes já existem a tempo. Lembro-me do que ocorreu em 1988, também no Rio de Janeiro, em plena entrada de ano novo, quando o barco Bateau Mouche, que transportava cento e quarenta e duas pessoas em passeio na Baía de Guanabara naufragou, causando a morte de mais de cinqüenta pessoas. O mais chocante não foi o acidente em si, mas principalmente a causa do acidente: desrespeito às leis de segurança e prevenção de acidente. E isso com o agravante de que a fiscalização já havia chamado a atenção para o perigo, ordenando inclusive que a embarcação retomasse ao lugar de origem e só viajasse com o número de passageiros permitido pelas normas de segurança. Mas, a insensatez prevaleceu e o barco retornou com o mesmo número de passageiros, burlando a fiscalização. Dessa vez, o erro não foi do ente público, pois a fiscalização fora feita com rigor. O que houve foi uma cínica burla à fiscalização, pasmem, com a ajuda dos próprios passageiros. Só que desta vez o tempo não ajudou e o barco sucumbiu. O jeitinho brasileiro, tão badalado e endeusado na época, mas que hoje, graças a Deus, é bastante questionado, não deu certo e anulou muitas vidas. Lembro-me também, agora, o que aconteceu comigo, quando em abril de 1975 fui fazer uma viagem à Região do Cariri, com quarenta alunos entre 15 e 16 anos de idade. O ônibus da empresa contratada estava velho, a direção com muita folga e a luz muito fraca. Ainda em Messejana, já saindo de Fortaleza, o limpador do pára-brisa deixou de funcionar. A chuva estava começando, mas demonstrava que ia demorar. Quis desistir, mas a moçada queria ir assim mesmo. Paramos na fiscalização para mostrar a documentação. Aproveitei a oportunidade para me valer do guarda rodoviário (estadual) e contei-lhe os problemas e o grande risco. Ele perguntou ao motorista de quem era o ônibus e ele disse o nome do proprietário. O guarda limitou-se a recomendar que tivesse muito cuidado, pois estava chovendo, a viagem era perigosa e os passageiros eram jovens e neles estava o futuro do Brasil. Boa piada acabava de ouvir e que de verdade, só tinha a afirmação sobre os jovens. Eu contava com apenas dois anos de diretor de colégio. Não possuía ainda autoridade e segurança suficientes para impedir a viagem e fazer todos retornarem para suas casas. Temia a reação deles e dos pais. Cedi e deixei o carro seguir viagem. A única coisa que fiz foi pedir o silêncio e solicitar que todos orassem pedindo a proteção de Deus. Fui para frente do ônibus e fiquei atento a tudo que ocorria na estrada. Só Deus sabe o quanto sofri. Ainda bem que chegamos em paz e não foi desta vez que a omissão de um líder (no caso eu) trouxe prejuízo para as pessoas. Fiz um pacto comigo mesmo e perante Deus, que jamais me omitiria ou ficaria calado diante da omissão dos outros, quando estivesse em jogo a vida, a paz e a integridade das pessoas. Vem em minha lembrança, também, agora a visita do Papa a Fortaleza, em 1980, quando na abertura dos portões do Castelão foram mortas, se não me engano, quatro pessoas. Ainda, na mesma época, na Praça José de Alencar, alguns jovens morreram eletrocutados durante a apresentação de um show, por descuido de quem montou os equipamentos. Em 1998, o Edifício Palace II desabou no Rio de Janeiro, deixando 8 (oito) mortos e 150 famílias desabrigadas. A empresa Sersan, de propriedade do Deputado Federal Sérgio Naya, foi acusada de usar material de baixa qualidade na construção do prédio. Assim, no nosso dia a dia têm sido registrados fatos e fenômenos que ocorrem sucessivamente, uma verdadeira cadeia de irresponsabilidade na ação ou omissão, ora do comandante, ora dos construtores, dos empresários, ora do guarda, ora do motorista, ora do técnico, ora da multidão. É o caso de se perguntar: até quando, meu Deus, essa situação vai perdurar? A resposta tem de ser DEPENDE! Sim, depende da iniciativa de pessoas sérias e bem intencionadas, que resolvam se rebelar contra essa prática e trabalhem pela formação, em cada cidadão, de uma nova consciência social. É importante, pois, não praticar e nem permitir práticas irregulares. É prudente não ceder, aliás, nunca ceder, e nem se calar, quando estiver em jogo a integridade física das pessoas. Se cada um fizer a sua parte, com certeza, os acidentes serão bem menores e os sofrimentos também. Se há uma irresponsabilidade em cadeias, devemos reagir, com muito mais evidência, contra essa prática, formando uma grande cadeia de pessoas responsáveis que acreditam na construção de mundo bem melhor.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

Carnaval: seus encantos e preocupações

Existem muitas maneiras ou motivos para tornar o carnaval inesquecível, que deixa uma saudade enorme bem dentro do peito. Às vezes, porque reatamos uma amizade; encontramos uma pessoa para amar de verdade; descobrimos os encantos da amizade e do relacionamento humano; (des)cansamos bastante; retornamos com a nossa consciência tranquila; os gastos foram dentro do esperado; não houve nenhum contratempo e nenhuma perda ou sofrimento; curtimos bastante as alegrias próprias da data; brindamos com os amigos e a família; o casal aproveitou bastante; os filhos curtiram muito; teve tempo para reflexão e tantas outras coisas mais. Ou seja, tudo beleza, um encanto de doces recordações. Esse foi um carnaval que deixou saudade por ter sido todo ele uma maravilha. Mas, nem sempre é assim! Às vezes a saudade é apenas parcial, só de alguns momentos bons, pois algo não esperado aconteceu, anulando sobremaneira o que de bom tenha acontecido. Trata-se de perdas irreparáveis, amargas e dolosas, que neste artigo não pretendo destacar. Apenas, aproveito a oportunidade para me solidarizar com quem por isso passou. Desejo a superação e, o mais importante, grande aprendizado. Bola para frente, cabeça erguida. A vida continua. Ela é bela e tem seus encantos. É só agente procurar evitar complicá-la. Agora, vamos focar o próximo carnaval. Ele está chegando. E vem ai com tudo. Já está, pois, no momento de se preparar, nos mínimos detalhes, e ter bastante cuidado para que ele aconteça de forma maravilhosa, evitando assim, falhas e erros.  Com certeza, ninguém pode adivinhar exatamente o que vai acontecer no próximo carnaval. Uma coisa, porém podemos fazer: agir previamente, tomando atitudes que farão uma grande diferença, tanto na nossa vida, como na daqueles que amamos. Os dados sobre os carnavais anteriores, não nos são favoráveis. Em 2010 foram registradas 87 mortes violentas, sendo 41 homicídios, 31 vítimas de trânsito, 9 afogamentos e 6 suicídios. Em 2011, 86 mortes violentas, sendo 52 homicídios, 11 vítimas de trânsito, 12 afogamentos, 4 suicídios e 7 diversos (choque, queda...). As causas, quase na sua totalidade, são provenientes do uso da droga, do álcool e da falta de educação. Se algo não for feito, os dados se repetirão e pode nos atingir ou atingir um dos nossos. Mas, essas causas são tratáveis, portanto, modificáveis. Basta, para tanto, agir com rapidez, orientando as pessoas que nos são próximas, a terem determinados cuidados. É um crime ficar calado diante dessa situação. Daí a necessidade de ações conscientizadoras para uma comemoração saudável e feliz, onde todos voltam do feriado em paz e dispostos a recomeçar suas atividades com uma agradável sensação e a consciência tranqüila. De posse das recomendações deste artigo, entre em contato com seus amigos, familiares, colega de estudo, de trabalho e fale sobre o assunto. Utilize todos os meios que você achar mais adequado. Pode ser pessoalmente, por telefone, e-mail, facebook, twitter, redes sociais etc. Recomende a ter cuidado e peça para repassar ao maior número possível de pessoas as atitudes a serem tomadas para que todos tenham um carnaval saudável.   Eis algumas sugestões de tópicos para você pensar e repassar. 1- Não permita que, nas alegrias do carnaval, alguma coisa prejudique o seu projeto de vida. 2- Se você é solteiro (a), mas tem compromisso de amar alguém, não troque de amor no carnaval. Fidelidade inicia-se no namoro. 3- Mantenha o seu compromisso de amor e respeito ao cônjuge e aos filhos. Evite aventura amorosa. Essa aventura pode dar início à destruição de uma família. 4- Seja cauteloso na convivência com desconhecidos. É importante manter a sábia distância. 5- Redobre a atenção no trânsito, viajando ou na cidade. O número de morte no trânsito é assustador. 6- Tenha muita precaução ao tomar banho de mar, rio, açude, lagoa. O índice de afogamento no carnaval é altíssimo. 7- Evite o uso ou aproximação de drogas. O nome já está dizendo: é uma DROGA. E como tal estraga, complica e destrói a vida! 8- Na brincadeira seja moderado. Pratique o respeito ao outro. 9- Procure não se envolver em discussões, tumulto e briga. Lesões e homicídios marcam forte presença no carnaval. 10- Comunique a seus pais, irmãos, cônjuge aonde você vai, quando volta e como será um possível contato, caso aconteça algo não esperado. 11- Lembre-se e nunca esqueça: a vida não começa nem termina no carnaval! Este ano de 2012 tem 366 dias e o carnaval são apenas 4 dias. Que tal primar pela excelência de vida nos demais dias? Esses tópicos são apenas sugestões. Só para abrir a nossa mente e ampliar nossa visão sobre o carnaval. O ideal é que você crie outros tópicos e divulgue o mais que puder. Você pode salvar vidas e estará fazendo alguma coisa para o carnaval se tornar mais saudável, tranqüilo e com excelente retorno. Faça a sua parte, VALE A PENA!

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tristeza amorosa

Escrever sobre relações amorosas não é nada fácil. Exige conhecimento, ponderação, sinceridade, dignidade, respeito à individualidade, muita sensibilidade e bastante compreensão humana. A dificuldade consiste na subjetividade que envolve a relação amorosa. Já escrevi dois artigos sobre o assunto. Estou relendo com cuidado para proceder a inclusão neste blog. Mas, agora abro espaço, neste momento, para brindar você com a obra prima que acabo de ler, escrita pela articulista, psicóloga, pedagoga e sexóloga, ZENILCE VIEIRA BRUNO, na página de Opinião, do Jornal O Povo do dia 15.01.2012. Com a permissão dada por ela, passo para você o precioso texto.
“Resolvi neste início de ano escrever sobre os temas mais solicitados e comentados dos leitores. Tenciono ir desaquecendo aos poucos meu papel de articulista e assim vou tentando fechar algumas idéias e emoções. Procurando, é claro, deixar sempre um espaço em aberto para o preenchimento poético do leitor. Um artigo vale mais pelas questões que suscita. Assim sendo, o mérito não está na saturação das respostas e sim na pertinência das indagações. O mais saboroso é o mistério das entrelinhas que as palavras não conseguem dizer, mas insinuam.
Tenho questionado o que há de encontro e de sexualidade em toda essa forma que prolifera, de erotismo industrializado que vai assumindo cada vez mais a fugacidade da relação. Estamos na época do “voyeurismo” típico dos tempos de Madonna, da “pegação” dos strippers e dos extrassexuais, que ofertam e buscam libidinagem sem sexo, da “ficação” fortuita com alguém numa noitada, tudo encaminhando experiências em forma de relações objeto, destituídas do relacional com o outro como sujeito. Nesse modelo, nem importa saber o nome de quem se toca, afaga ou beija e quantos corpos se tocam numa mesma noite.
A identidade se perde nesse identificador de personagens e cede lugar ao uso do corpo para meras sensações. Até mesmo uma “androginia de visuais” confunde as pessoas nessas orgias em que nem se sabe se é atraído pelo masculino ou pelo feminino. Tudo levando a crer que a “livre expressão libidinal” industrializada e lucrativa supõe um corpo objeto, um consumo de imagens e sensações, não emoções partilhadas no relacional. Essa simulação, essa caricatura, promove formas de sexualidade, não relações. Isso interessa ao sistema que aplaude a superficialização dos cidadãos. Ciro Marcondes acha que é nessa aparência de sexualizar que se dá a dessexualização, pela redução do sexo ao mecânico, ao automático, repetitivo e vazio.
Assistimos a uma espécie de diminuição das relações apaixonadas, e até mesmo o desenvolvimento do medo da experiência mais profunda, da emoção inevitável, do doer de paixão. É grande, hoje, a evitação do envolvimento amoroso, o descompromisso com a emoção e com a pessoa e, em troca, elegem-se experiências passageiras, nenhuma verticalização do sentimento.

Mas é grande também a insatisfação, filha do vazio que resulta do não encontro. Vivemos, assim, uma tristeza amorosa. Saímos da era dos impedimentos para uma era da produção de liberdades que nega a paixão, o utópico, o metafórico, o extasiante, a dimensão onírica da pessoa.
O tema evidencia que a paixão carece de obstáculos a serem superados e que os apaixonados os enfrentam numa arrojada dinâmica do impossível. O mito de Eros defende que o amor não pode crescer sem paixão. Diante disso, questiono: que obstáculos têm hoje os amantes a enfrentar, considerando-se que toda libidinagem está posta à mesa, ao consumo e ao lucro de investidores e consumidores modernos?
São frágeis os limites postos pela família e sociedade para consumos libidinosos. Uma filosofia da “facilidade” erradica os impedimentos. Mas é curioso observar que vivemos intensamente enquanto temos razões para lutar. Se não há mais barreiras contra as quais se opor, vive-se superficialmente.
“Como é que vou crescer sem ter com quem me rebelar?”, cantava o grupo
Ultraje a Rigor”.
É triste, pois constatar, como disse a autora, que "Assistimos a uma espécie de diminuição das relações apaixonadas, e até mesmo o desenvolvimento do medo da experiência mais profunda, do doer de paixão".
Parabéns à autora, Zenilce Vieira Bruno. O texto é maravilhoso e muito edificante. Digno de ser bastante divulgado. Fiz a minha parte. Agora, por favor, faça a sua.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

domingo, 15 de janeiro de 2012

A tal da palmada


Diante de qualquer fato novo, seja ele social, profissional ou familiar, a minha postura sempre tem sido moderada. Analiso, entendo e me posiciono com naturalidade. Não me impressiono facilmente. É como se nada me espantasse. Eu apenas analiso, procuro entender e me posiciono. Daí não apreciar muito quem de tudo que acontece, faz uma grande celeuma, transformando o fato em um problemão. Não rejeito essas pessoas, pelo contrário, tenho a maior paciência com elas e procuro diminuir um pouco a sua ansiedade ou medo. É essa a minha intenção ao comentar a lei recentemente aprovada na Câmara Federal, conhecida popularmente como a ¨lei da palmada ¨. Para quem não sabe, trata-se de um Projeto de Lei, aprovado em 14/12/2011, por unanimidade na Comissão Especial da Câmara Federal, indo agora para o Senado, podendo ser aprovado ou não, e que consiste na alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente. Essa alteração entra em mais detalhes sobre o que é considerado crime, no trato disciplinar dos pais junto aos filhos. Ficou claro agora que a utilização de violência física ou psicológica de pais contra filho, ou seja, ¨qualquer atitude que cause dor ou sofrimento à criança ¨. Dai, por dedução, inclui-se a palmada. Isso quer dizer que se for aprovado pelo Senado e tornar-se lei, a palmada poderá ser ou não caracterizada como uma violência á criança. Nessa hipótese, se houver denúncia, o Conselho Tutelar irá analisar se realmente o ato foi violente ou não, podendo encaminhar ou não ao Ministério Público que, por sua vez, emitirá um Parecer, cabendo ao Juiz decidir pela existência ou não de maus tratos. Como se percebe, aparentemente, um simples ato educativo visando dar limite ao filho, poderá trazer grandes aborrecimentos aos pais. Mas, não é bem assim. Temo que agora os pais fiquem perdidos, acuados, sem saber mais como proceder. Isso causaria um caos nas famílias e a sociedade, mais tarde, sofreria as conseqüências dessa insegurança. Na década de 70, algo semelhante aconteceu, em três áreas diferentes. Uma, quando a famosa ¨ psicologia moderna ¨ deixou os pais inseguros, ao alegar que limite poderia trazer traumas. Só depois, bem depois, é que a psicologia moderou o conceito de traumas, surgindo assim o equilíbrio. O mesmo aconteceu com a matemática moderna, quando caçulos e números foram substituídos por noção de conjunto, que dominou quase o conteúdo de todas as séries, só vindo o equilíbrio, décadas depois. O outro fenômeno ocorreu com o ensino da língua portuguesa, quando, até certo ponto, foi dado um desprezo à gramática e uma supervalorização a produção de textos. Mas, graças a Deus veio o equilíbrio, quando se descobriu que ambas eram necessárias. É assim que tem acontecido com a sociedade ao notar uma falha (excesso de limites, cálculos e gramática) parte para o extremo, difundindo e supervalorizando novos conceitos (liberdade, conjuntos e produção textual). Tudo isso seria perfeito se a mudança não fosse tão radical e exagerada, ao ponto de menosprezar o que continha de valor nas experiências anteriores. Esse reconhecimento, quase sempre, só ocorre quando o prejuízo social já é muito grande. Ai vem o equilíbrio: diminui-se a ênfase exagerada dada a nova experiência e recorre-se a experiência anterior tirando dela o que havia de precioso. Mas, vamos voltar a tal da palmada. Nos primórdios da convivência humana, o castigo físico era bastante usado para punir quem não obedecia à determinada instrução. Isso era ponto pacífico. A própria bíblia recomenda disciplinar os filhos, embora, acredito, com equilíbrio, pois moderação e bom senso sempre permearam as orientações bíblicas. Essa forma de punir, por ser aceita pela sociedade, não escandalizava ninguém. Podemos dizer que não tinha contra indicação. Assim, permaneceu por longo tempo. Inclusive, eu mesmo ainda vivenciei um pouco dessa fase. Na escola do tempo que eu estudava, a sala de aula consistia em uma mesa, caixa de giz, lousa e... uma PALMATÓRIA! E o pior, não era utilizada apenas como forma de punir a indisciplina, pois nesse caso havia outros castigos, tais como ficar “preso” por determinado tempo em uma sala escura; ficar de costa para a turma e de frente para a parede; com os braços abertos sem direito a descanso e com a obrigação de mantê-los sempre altos; de joelho em piso duro por um bom tempo e tantos outros. A palmatória era utilizada mais como forma de saber se o aluno havia estudado a matéria em casa, se fez o dever. Portanto era uma forma “didática” de forçar o estudo. Se, ao ser argüido, não soubesse responder, levaria determinado número de palmadas. Come se percebe, a ênfase era o sofrimento. Isso deixava o aluno sujeito aos caprichos e maldades de cada professor ou da própria direção da escola. Isso não era justo. Ainda bem que a sociedade evoluiu e proibiu esse tipo de punição. Hoje, essa prática seria ridícula. Hoje, o conceito de direitos fundamentais da criatura humana foi ampliado e bem definido. No início, a necessidade básica do homem era apenas a alimentação; depois; segurança; foi ampliado para moradia; continuou aumentando: saúde, educação, dignidade, respeito, direito ao silêncio (sem barulho), de ser feliz e..., com certeza não vai parar ai. Há estudiosos que agrupam essas necessidades ou direitos em quatro dimensões ou gerações. Os problemas modernos geraram uma nova concepção de direitos humanos. Isso foi muito evidente na Revolução Francesa, espalhou-se por toda Europa e América, sendo hoje uma bandeira de quase todas as nações. Aqui em nosso país os direitos fundamentais das pessoas tornaram-se muito defendido a partir da década de oitenta. Hoje, ninguém admite mais castigo que resulte em sofrimento. Dai ter surgido, em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente protegendo a criança de maus tratos e agora alterado para definir o que significa maus tratos, dentre ela “o que causa sofrimento e deixa marcas”. Ela veio para dizer aos pais que eles têm direito de educar os filhos da forma que acharem mais adequada, deste que respeite os limites da lei. A sociedade hoje não entende como absoluto o direito dos pais sobre os filhos. E essa lei foi proposta exatamente para inibir os que utilizam de violência para educar os filhos. Isso porque ficou constatado que era exatamente no recinto do lar que ocorria o maior número de violência contra as crianças (e mulheres). Surgiu, pois, para corrigir exageros e evitar absurdos, estatisticamente comprovados. Inclusive, presenciamos ao longo das greves de 2011, que nas manifestações públicas, muita delas conflituosas, os grevistas utilizavam seus filhos menores para se defenderem ou sensibilizarem a opinião pública ou inibir reações da parte contrária. Os órgãos de defesa da criança e do adolescente condenaram, de forma contundente em nota pública, esse tipo de conduta. A perdurar essa prática, já, já surgirá um movimento pedindo que haja uma lei proibindo esse procedimento. E isso vai incomodar a muita gente e novas inquietações surgirão. O fato é que, nós que somos moderados, amamos nossos filhos, respeitamos os seus direitos e sua individualidade, não devemos temer a vigência dessa lei ou de outra que venha a surgir, disciplinando essa ou aquela situação.  Não é bom que perdure a inquietude sobre os efeitos da Lei da Palmada, pois essa postura só traz desconforto e incômodo os pais, prejudicando sobremaneira a educação dos filhos. Por esta razão, na condição de Educador e Advogado, recorro à figura do Apóstolo Paulo, que durante a realização do seu trabalho missionário, teve confrontos seríssimos com as autoridades locais e soube muito bem, com ousadia e coragem, invocar a legislação vigente, para se sair vitoriosamente de situações bem difíceis. Portanto, semelhante ao Apóstolo Paulo, não devemos temer a Lei. Ela não foi elaborada para prejudicar o educador e sim, para punir o malfeitor. Continuemos, pois, o nosso trabalho, aliás, abençoado trabalho de educar nossos filhos, sem temor e insegurança, com muita coragem e equilíbrio, convictos que o nosso empenho não será em vão, uma vez que a missão de educar faz parte do plano de Deus para edificar e restaurar a criatura humana. É essa a mensagem deste artigo.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com