Boas vindas

O objetivo principal deste blog é edificar vidas.

Os artigos e informações aqui contidas visam tão somente tornar as pessoas mais conscientes de si; seguras na busca do entendimento sobre o mundo, os fatos, as pessoas; acreditem mais na construção de um mundo melhor e na beleza da criatura humana. Bom proveito !

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quarta-feira, 6 de março de 2013

A VIDA EM CONDOMÍNIO.



É consenso entre os estudiosos do comportamento humano que a vida em condomínios é um excelente laboratório para o exercício da cidadania. Fica entre a família, que é o ambiente mais importante para crescimento pessoal, e a sociedade, campo mais amplo para a aprendizagem.
A importância da vida em condomínio é patente. Nele busca-se o viver da melhor forma possível. É lá que se encontra o nosso ninho, que é a própria família, estreitamente ligado a uma árvore, que é o condomínio. Ambos são por demais importantes. Zelar por eles se torna algo prioritário.
A convivência em condomínio é regulada por uma Convenção e um Regimento, ambos aprovados pelos condôminos. Neles são contemplados princípios básicos que nortearão as políticas, normas e regras de convivência, que entendemos ser o melhor para todos. Elege-se um Síndico para conduzir bem essa pequena vida comunitária.
Há condomínios que exageram em suas determinações. Às vezes as exigências têm como foco mais a finalidade policialesca do que a de guardadora. Quanto não é a composição do Condomínio é, às vezes, o Síndico que tem atuação com excesso de rigidez. Nesses casos, a vida em comum se torna complicada.
Ainda bem que há Condomínios e Síndicos que são um primor de respeito aos condôminos e de cuidados em proporcionar uma vida comunitária prazerosa. O foco deles é sempre a boa convivência. Buscam a felicidade plena através de uma atuação firme e, acima de tudo, educativa.  Têm consciência que o condomínio é o melhor laboratório para o exercício da plena cidadania.
É oportuno destacar alguns aspectos que podem ajudar no aperfeiçoamento da vida em condomínio.
1-    É fundamental ter obediência total às normas preestabelecidas. Não importa qual. Todas devem ser respeitadas. Por mais simples que sejam: não pisar na grama; não jogar lixo no chão; não entrar molhado no elevador; não buzinar para entrar ou sair do prédio; não ultrapassar a velocidade de 10km; não gritar demasiadamente, mesmo nas horas ou locais de lazer; deixar o local requisitado limpo logo após a sua utilização e tantos outros mais.
2-    Podem ser feitas críticas e sugestões ao Síndico, mas não esquecer também de dar uma palavra de apoio e incentivo. Ele precisa sentir que não está só, principalmente quando tiver de ser rigoroso, caso alguém não se disponha a obedecer as norma ou atender ao solicitado.
3-    Nunca esquecer que estamos no mesmo barco e que juntos, podemos adquirir um estágio de convivência dos mais excelentes. Queremos ser felizes e essa felicidade passa por morar bem. Por isso, mesmo contra a nossa vontade, em alguns momentos, ceder é necessário. Nada justifica o desrespeito às regras de convivência social. Elas existem para facilitar a vida de cada um. Passar por cima delas só faz atropelar o bem estar coletivo.
4-    Devemos redobrar a atenção às crianças, adolescentes e jovens. Eles encantam e dão vida ao ambiente. Como é lindo ver crianças, adolescentes e jovens em um vai e vem impressionante. Eles expressam alegria, força e juventude. São todos diferentes e comuns ao mesmo tempo. Estão em formação. Para eles e para nós, a grande lição da vida é: tudo tem regras e limites. Aprender a respeitá-los é de fundamental importância para o desenvolvimento e sucesso pessoal. Não é só em convivência social. Na alimentação, no sono, nos estudos, nas amizades e tantos outros aspectos da vida existem regras e limites. Quem desobedece não fica impune. O prejuízo e o estrago virão, mais cedo ou mais tarde, e a conta é alta. Por isso, é bom aprender cedo a não “passar por cima” das normas e dos limites.
5-    Desrespeitar uma regra ou limite é desrespeitar também um princípio. Os princípios são fundamentais para a existência humana. Quando uma pessoa, por comodidade pessoal, deixa a algo prendendo a porta do elevador, não desrespeita apenas a uma regra, mas também ao princípio de facilitar a mobilidade, o ir e vir das pessoas. Do mesmo modo, quando uma pessoa transita molhada pelo pátio e corredores, não está apenas desrespeitando uma regra. Está desrespeitando o princípio de segurança das pessoas, o que acaba provocando acidente, mutilando vidas.
Como se percebe, nada é por acaso. Tudo tem um sentido na vida.
                                                                
José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com  



terça-feira, 5 de março de 2013

SENTIMENTO DE FRACASSO


Fico encantado quando me deparo com texto que visa mais orientar e consolar do que criticar e atormentar. Curto muito esse tipo de colocação. Serve de lenitivo para o sofrimento humano. Eis um deles.
ROSELY SAYÃO - FOLHA DE SÃO PAULO - 26/02/2013 - SÃO PAULO, SP
Há algum tempo tenho percebido que diversas mães se declaram incompetentes diante de sua tarefa de educar os filhos. Há também as que se sentem fracassadas quando percebem que o que elas almejavam para os filhos não se concretizou.
Claro que há pais que se sentem da mesma maneira, mas minha experiência aponta um número maior de mulheres sofrendo com esses sentimentos.
Há uma tendência social de se avaliar a mulher pelo êxito do seu filho, isso desde a mais tenra idade.
O filho andou precocemente? Já escreve e identifica o próprio nome escrito em letras aos três anos? Desenha como um artista? É um dos primeiros alunos da classe? Tem destaque na escolinha de futebol? Entrou na faculdade considerada top?
Ah! Mães com filhos que realizam tais feitos costumam ser avaliadas como boas mães. Elas souberam o que fazer e como fazer para que os filhos atingissem tais feitos costumam considerar as pessoas com quem essas mães convivem.
Já se o filho não fala corretamente, faz birra em público, não gosta de estudar, dá trabalho para comer, repete o ano escolar e é desobediente, coitadas dessas mães! Não sabem como exercer bem o seu papel, pensam outras pessoas, sem disfarçar os olhares reprovadores. E, então, indicam profissionais para acompanhamento da criança, literatura especializada, revistas e programas de TV que certamente irão ajudar a pobre mãe. Até a escola costuma fazer orientações para pais.
Você deve ter percebido, caro leitor, que ser mãe ou pai na atualidade ganhou um caráter quase profissional.
Há uma infinidade de recursos disponíveis, hoje, para mulheres e homens que queiram realizar bem sua tarefa com os filhos. Não estranharei se, em breve, for criado um curso de pós-graduação lato sensu sobre educação de filhos.
Sim, porque até agora os cursos tratam de alunos, papel social muito diferente do de filhos, não é?
Dá, portanto, para começar a entender o sentimento dessas mães. Elas não se sentem especialistas em maternidade. E perseguem o tempo todo uma fórmula para dar conta do que acham que precisam dar conta.
O que elas esquecem nessa empreitada é que os filhos ficam diferentes a cada dia. E é justamente por isso que a maioria das atitudes que tomam com as crianças ou os adolescentes tem eficácia de curto tempo. E elas pensam que o que fizeram não deu certo. Deu, mas apenas por pouco tempo.
Se as mães e os pais escutarem atentamente os filhos e tiverem com eles um vínculo de proximidade, irão perceber a hora de mudar de estratégia. Eles, os filhos, dão os sinais.
Outra coisa que mães e pais precisam considerar é que as crianças do século 21 não seguem mais padrões de desenvolvimento. Cada um vive em um ambiente específico, tem um tipo de relação com os pais e, por isso, serão bem diferentes de seus pares de mesma idade. Comparar os filhos no mundo da diversidade não é, com certeza, uma boa escolha!
Mães e pais não devem se sentir fracassados ou incompetentes, pois os filhos precisam justamente do sentimento de potência que os adultos demonstram. Mães e pais não costumam fracassar: costumam errar. E não há nenhum problema em errar: os filhos superam nossos erros com mais facilidade do que nós.
E tem mais: não há certo ou errado quando o assunto é a educação dos filhos. Há princípios, há valores, há a moral familiar e social, há o bem conviver, o respeito e a dignidade. E há estratégias que funcionam por um tempo e estratégias que não funcionam, apenas isso.
Os sentimentos de fracasso e de incompetência podem inibir o exercício da maternidade e da paternidade.
Mais importantes que qualquer conhecimento específico são os afetos porque são eles que conduzem os pais.

domingo, 3 de março de 2013

A INDIGNAÇÃO DE UMA GRANDE EDUCADORA.


Li o texto a seguir, escrito por uma educadora que conheço e admiro muito. Narra as dificuldades que inúmeros pais encontram por ocasião da matrícula de seu filho com Necessidades Educativas Especiais. A indignação da educadora tem sentido. Merece uma boa reflexão.
    TEMOS MUITO A APRENDER E A ENSINAR.                                             Nos preocupamos muito com os alunos que saem de uma escola considerada "pequena" e ingressam nas chamadas “grandes escolas”. Essas crianças são frutos, muitas vezes, de  8 até 10 anos  da  dedicação de "grandes"  profissionais. E, para nossa satisfação, são academicamente  bem preparadas, alunos críticos e participativos.  São crianças “normais” e aceitas em qualquer escola, independente do tamanho que tenha.
    Mas o que dizer dos alunos  com Necessidades  Educativas Especiais (NEE)? Temos grande preocupação com o futuro dessas crianças. Já visitei algumas escolas que deveriam receber esses alunos, e sempre fico decepcionada com o que escuto: "Não estamos preparados para receber esses alunos”, ou “não temos vagas”, (o que, às vezes, pode até ser verdade), ou “não temos profissionais para acompanhá-los” ou ainda, o que é pior, “o aluno não atingiu o perfil no teste de seleção”.
    Até quando esses e outros absurdos continuarão a acontecer? Quando essas escolas vão acatar a lei? Quando irão deixar de promover apenas “alunos medalhas” e passar a promover a dignidade e a justiça?
    O acesso a educação para todos é uma realidade e um direito. Quando irão entender que o movimento de uma escola plural é mundial e inadiável?
    Existem, sim, leis e documentos específicos que  reafirmam e garantem o acesso a todos e destaca a inclusão das pessoas com NEE, entre elas, as que apresentam deficiência. É uma desculpa dizer que as escolas não estão preparadas, e não irão estar nunca, se não começarem a enfrentar a realidade, e isso só poderá acontecer quando abrirem suas portas e não apenas as rampas de acesso, isso apenas, não é suficiente. É preciso romper com as barreiras, com os preconceitos e com o medo do diferente. Alguns autores apontam que a educação inclusiva sustenta-se numa filosofia baseada na igualdade, na solidariedade e nos princípios democráticos. A convivência com o diferente só favorece a aprendizagem. Portanto  educação inclusiva não é favor, não é concessão, não é só amor, é DIREITO, e é isso que precisamos entender de uma vez por todas. O ideário da inclusão deve ser concebido como  intervenção no real. Isto é, não se deve admitir que o alunado permaneça do lado de fora esperando a escola ficar pronta para recebê-los. Trata-se de mantê-la completamente aberta com a diversidade e partir dela. Para isto, será necessário quebrar resistências, remover barreiras físicas e atitudinais, enfrentando conflitos e contradições, revendo estratégias de aprendizagens, com ênfase na construção coletiva.
    Os pais são grandes aliados dos que estão empenhados na construção da nova escola brasileira. NÃO ESTAMOS SOZINHOS E TEMOS MUITO A APRENDER E ENSINAR. Ainda tenho muito a dizer... minha  indignação é imensurável.

Regina Coeli  Furtado Câmara. Psicopedagoga e Coordenadora Pedagógica em Fortaleza.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O CARNAVAL ALTERA O RITMO NORMAL DAS PESSOAS.


                        Logo após o carnaval, nos meios de comunicação, é divulgado o relatório de ocorrência com mortes durante o período. Veja abaixo o resultado nos últimos anos.
Clique na tabela abaixo para visualizar em tamanho maior.

*42 Mortes só na virada de um ônibus.

Em muitos desses casos, uma simples palavra, uma pequena orientação prévia, garantiria um bom carnaval e evitarias grandes perdas, traumas, mutilações e sofrimentos. Vale a pena tentar. Faça alguma coisa. FICAR CALADO É UM CRIME.

                      PARA AJUDAR, EIS ALGUMAS RECOMENDAÇÕES.
1) Brinque moderadamente. Pratique o respeito ao outro.
2) Procure não se envolver em discussões, tumulto e briga. Lesões e homicídios marcam forte presença no carnaval.
3) Seja cauteloso na convivência com desconhecidos. É importante manter a sábia distância.
4) Redobre a atenção no trânsito, viajando ou na cidade. O número de morte no trânsito é assustador.
5) Tenha muita precaução ao tomar banho de mar, rio, açude ou lagoa. O índice de afogamento no carnaval é altíssimo.
6) Mantenha o seu compromisso de amor e respeito ao cônjuge e aos filhos. Evite aventura amorosa. Essa aventura pode dar início à destruição de uma família.
7) Se você é solteiro (a), mas tem compromisso de amar alguém, não troque de amor no carnaval. Fidelidade inicia-se no namoro.
8) Evite o uso ou aproximação de drogas. O nome já está dizendo: é uma DROGA. E como tal estraga, complica e destrói a vida!
9) Alimente-se bem e durma o necessário. O corpo não agüenta ser mal tratado. Cuide bem do seu corpo, ele foi dado por Deus para ser administrado por você.
10) Lembre-se e nunca esqueça: a vida não começa nem termina no carnaval! O ano de 2013 tem 365 dias e o carnaval tem apenas 4 dias. Que tal primar pela excelência de vida dos demais dias?
11) Comunique seus pais, irmãos, cônjuge aonde você vai, quando volta e como será um possível contato, caso aconteça algo não esperado.
12) Durante a folia, ao acotovelar-se ou ser acotovelado por outro folião, diga sempre: “calma amigo!” ou “desculpe, foi mau!”.
13) Saiba que você é alvo das atenções e do amor de quem quer vê-lo FELIZ...PRA SEMPRE!



Carnaval BOM é aquele que, após a quarta-feira de cinzas,
tudo continua muito BEM.


José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com  




terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Carnaval: período de muitos excessos


A Psicóloga e Educadora Luana Andrade abordou muito bem o tema de excessos no carnaval. Seu artigo foi publicado no Jornal do Leitor de O POVO no dia 05/02/2013. Por ser oportuno, compartilho com vocês. Bom proveito.
A origem do Carnaval remonta à Antiguidade, época em que a festa representava uma comemoração por conta das boas colheitas. Os agricultores expressavam sua alegria com a fartura das lavouras através do canto, da dança e, posteriormente, do uso de máscaras. Quando o Carnaval chegou ao Brasil, trazido pelos portugueses, a Igreja Católica já havia incorporado a ideia de que seria bom que os cristãos, em uma atitude de integração e louvor, se reunissem antes da quaresma para se divertirem com muita alegria, canto, dança, comida e bebida, o que ajudou a difundir o costume do festejo. De lá para cá, a comemoração vem se popularizando cada vez mais e hoje é considerada uma das maiores festas populares do nosso país. 
No entanto, se, por um lado, a festa cresceu, seu sentido original praticamente não mais subsiste. Hoje, o Carnaval no Brasil é um período de excessos, sinônimo de baderna, descaso e falta de limites. Estatisticamente falando, é um dos períodos em que o Governo mais gasta com segurança pública; mais disponibiliza ambulâncias para atender aos cidadãos que se excederam na bebida ou foram vítimas de agressões ou de acidentes; mais investe em campanhas educativas referentes à segurança no trânsito, ao consumo de bebidas alcoólicas e ao uso de preservativos, e é também quando se registra um dos maiores índices de gestação entre adolescentes, assim como altíssimos graus de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. Não só isso, é ainda o feriado em que a polícia rodoviária mais registra acidentes automobilísticos envolvendo vítimas fatais e os hospitais apresentam um aumento súbito no número de atendimentos diários. É quando mais se vende bebida alcoólica durante o ano. É a festa em que mais morre gente no nosso país!
Parece que durante o Carnaval as pessoas vivem como se as regras deixassem de existir e o mundo estivesse prestes a acabar. As normas de boa convivência são solenemente ignoradas, e as vozes em contrário abafadas por paredões de som, ligados a qualquer hora e a todo volume. Essa forma de comemorar está errada. É natural que se queira extravasar e se divertir no feriado, mas até nessas horas devemos ter limites.
A raiz do problema resume-se a uma expressão: falta de respeito. Pela vida, pela saúde, pelo patrimônio alheio. Vamos viver intensamente esse Carnaval, mas de forma responsável e com o pensamento no próximo. 
Luana Andrade
luanaaararipe@gmail.com
Psicóloga, Psicoterapeuta, Psicodramatista, Professional Coach, Especialista em Terapia Familiar, em Psicologia Clínica e em Psicologia Escolar

sábado, 2 de fevereiro de 2013

EXCELÊNCIA. Oscar Motomura.


Aprendi muito com Oscar Motomura. A sua visão de futuro sempre me impressionou. Ainda em 1990, ampliei meus horizontes quando assisti uma exposição sua, de 8 horas, sobre OS NOVOS PARADIGMAS PARA A DÉCADA DE 90. Ainda hoje, mesmo já idoso continua com a sua linda visão de futuro. A seguir um de seus preciosos textos.


Excelência
Desde a intenção
Até o efetivo fazer acontecer

Exceder as expectativas
Surpreender…
Até pela simplicidade

Qualidade com flexibilidade
Excelência pela velocidade…

O empenho do tentar lapidar
Arredondar a cada dia

A persistência do durante
O ir até o fim…

Excelência a cada vez
Como na primeira vez

A busca da perfeição
Um criar sempre além

A viabilização do impossível
A superação de limites

Chegar aonde ninguém chegou
Maravilhar, encantar…

Excelência que vem do servir genuíno
Respeitoso, honesto, autêntico

Que faz o melhor de si emergir

O melhor servir
A partir de um coração gentil

Com leveza…com alegria…

Um servir com prazer
Um servir animado – com vida
Um servir caloroso
Com emoção

Um servir incondicional, empático
Vendo a si atrás de cada olhar

Que nos faz ser o outro
No momento da verdade

Um servir com arte, bom gosto
Em cada gesto, em cada servir

Um envolvimento pelo coração…

A performance que fascina
Pela antecipação
Pela atenção inteira
Pela força do servir verdadeiro

A performance que vem de dentro
Que a todos inspira

Um competir sadio
Por um servir cada vez melhor

A busca persistente
Do sucesso de quem servimos

A performance dos sonhos
Pela viabilização dos sonhos do outro

Excelência por alta sensibilidade

Que nos faz perceber
Até o desejo não-expresso
Ouvir o não-dito
Ler nas entrelinhas,
Enxergar o invisível

Excelência que só um servir
De espírito para espírito
É capaz de realizar

Excelência que vem da essência

Que a partir do simples
Gera o extraordinário

A expressão do melhor em si
A cada agora
Momento a momento

Um servir verdadeiro, natural
Como a um irmão

Um servir de corpo e alma

A performance precisa
Nos detalhes mais sutis

Na essência e na forma
Na relação e na técnica

Excelência pela motivação mais elevada
E pela nobreza das intenções

Sempre.

(Reflexões Livres sobre Excelência e Performance, por Oscar Motomura)

Lauro de Oliveira Lima: um pedagogo livre e insubmisso

Por admirar muito o educador Lauro de Oliveira Lima e ter seguido, na medida do possível, os seus ensinamentos, com prazer transcrevo o Editorial do Jornal O POVO (31/01/2013), por ser um resumo perfeito da trajetória do grande educador. Eis o texto.

Hoje será cremado o corpo do educador cearense Lauro de Oliveira Lima, que morreu aos 91 anos de idade, no Rio de Janeiro, na noite da última terça feira. O Ceará e o mundo da educação em geral (e não apenas no Brasil) perdem uma das mentes mais férteis e instigantes em termos de inovação do processo de aprendizagem e dos meios mais apropriados de induzir o conhecimento, tendo sido autor de mais de 30 obras relacionadas à educação e lutado até o fim da vida contra o conformismo nessa área. 
Seu espírito insubmisso e sua ojeriza à mediocridade (“Não devemos transformar a mediocridade em valor de vida”) tornaram-no uma espécie de aguilhão contra o convencionalismo e à absorção acrítica das formas tradicionais de ensino, tendo abraçado as teorias pedagógicas de Jean Piaget, que teve nele não só um difusor fiel, mas um interlocutor de primeira linha, desenvolvendo um trabalho pioneiro no Brasil.
Filho de Limoeiro do Norte formou-se, em 1949, em Direito e, em 1951, em Filosofia. Antes disso, engajou-se no magistério secundário e casou-se com a neta de Agapito dos Santos, conhecido educador cearense, a professora Maria Elisabeth Santos de Oliveira Lima. Em 1945, foi aprovado em concurso para o cargo de inspetor Federal de Ensino, ao qual dedicou duas décadas de sua vida, a metade das quais como inspetor seccional do MEC no Ceará.
Dentre outros feitos seus está a fundação do Ginásio Agapito dos Santos, onde teve a oportunidade de iniciar suas ideias inovadoras na área pedagógica, chegando a escrever nessa época o livro Escola Secundária Moderna, que chamou a atenção do prestigiado educador Anísio Teixeira (1963). Foi quando deu reforço à metodologia da dinâmica de grupo e à divulgação de seu método psicogenético. Mais tarde fundaria em Fortaleza o Colégio Oliveira Lima e, no Rio de Janeiro, outro: A Chave do Tamanho.
O golpe de 1964 e a instauração da ditadura subsequente desencadearam sobre Lauro de Oliveira e sua família uma das mais sórdidas perseguições do regime obscurantista, tendo que deixar o Ceará, com a família, sofrendo todo tipo de vexames, inclusive prisão. 
Hoje, o Ceará sente orgulho por esse filho ilustre e homenageia seu legado intelectual e seu exemplo de fidelidade aos ideais democráticos e humanísticos.
*Editorial do Jornal O POVO (31/01/2013)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

UMA REFLEXÃO PARA O CARNAVAL.


Por causa de um longo período de feriados e um clima de brincadeiras e diversões, estas, quase sempre, com forte apelo ao prazer, o carnaval tornou-se um fenômeno popular conhecido mundialmente. Até aí, tudo bem. Nada a reclamar. Só que nessa onda muitos passam dos limites e estes limites, como sabemos, dependem da formação e a maneira como cada um foi educado. E neste particular, existem falhas, o que provoca erros, com grandes prejuízos para a pessoa em si, seus familiares e toda a sociedade. Em muitos casos, uma simples palavra, uma pequena orientação prévia evitaria grandes aborrecimentos.

O resultado do carnaval divulgado sempre entre 4ª e 5ª feiras tem sido a cada ano assustador. O número de mortes em acidentes de trânsito e por homicídios é muito grande. E o pior é que a causa principal tem sido o consumo de bebida alcoólica. A conseqüência não podia ser outra: PERDA!

Neste contexto é imperioso que se faça algo, através de ações prévias de conscientização sobre a prática de uma comemoração saudável e feliz, onde todos podem voltar do feriado numa boa, em paz e dispostos a recomeçar suas atividades com uma agradável sensação e a consciência tranqüila.

O que foi dito até aqui tem o firme e sutil propósito de sensibilizar pessoas, no sentido de que algo precisa ser feito para minimizar os efeitos maléficos do carnaval. Pode ser através de conselhos, recomendações e pequenas orientações. Tudo isso em busca da almejada paz social e da qualidade de vida.
          É UM CRIME FICAR CALADO!!!

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com  

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

CRIANÇA NORMAL


Tenho dificuldade em aceitar essa colocação. Ela me incomoda. Afinal, normal como? E as outras são anormais? Está certo rotular alguém de normal ou anormal? Em que circunstância foi dado esse conceito? Afinal, qual o modelo de criança que passou na nossa mente quando definimos ser ela normal ou anormal?
Analisemos agora alguns casos de julgamento de determinadas crianças. Algumas delas desejavam conhecer Jesus. Os discípulos proibiram. Para eles isso seria anormal, afinal criança, naquele tempo, não tinha nenhum valor. Criança normal não tentaria isso. Jesus percebeu a situação, repreendeu os discípulos e disse: ”deixai vir a mim as criancinha”. (Marcos 10:14)
No episódio do “Titanic”, o filme expõe uma jovem rebelde que desde criança fora criada com regras rígidas. Ela nunca podia ser ela mesma. Para a elite da época, criança normal era a que se submetia às posturas sociais reinantes. As demais seriam anormais. Deu no que deu.
Recentemente, em um condomínio, um senhor ficou incomodado com a brincadeira das crianças no pátio livre e falou, aos gritos: “deixem de fazer barulho, subam e vão brincar no computador, como as crianças normais”. Tenho dificuldade de comentar essa afirmação.
Vejo claramente que boa parte dos educadores tem dificuldade de educar as crianças. Ora, as endeusam e elas ficam soberanas, ou as submetem a regras absurdas. Dois extremos. Sem limites ou com limites exagerados, ou não explicados, não dá! Fica difícil educar uma criança dentro desses dois padrões.
Afinal, quando uma criança é normal? Sempre! É assim que pensa o grande educador Lauro de Oliveira Lima. É dele essa preciosidade; “as crianças não erram; cada manifestação sua revela um nível de desenvolvimento.” Portanto, é normal essa ou aquela atitude da criança. Isso não quer dizer que fechemos os olhos diante de atitudes prejudiciais ao grupo ou a ela mesma. A correção deve ser de imediato. Senão ela seguirá normalmente agressiva, embirrenta, mentirosa ou sem compromisso. Em vez disso, podemos torná-la normalmente educada, sincera e entendendo os compromissos com a vida e com os demais. Essa urgência é bíblica: “Ensinai as criancinha no caminho que devem andar e ainda quando envelhecerem não se desviarão dele”. (Provérbios 22:6).

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com  

*Publicado no caderno "Jornal do Leitor" de O POVO   (22/01/2013)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

AS CONTRADIÇÕES DO RÁPIDO.


Há certo exagero na valorização do rápido. Tudo hoje tem de ser ligeiro. E não é só em termos de tecnologia. É no comer, no conversar, no aprender, no responder, no andar, no decidir e tantos mais. O pior é quando o rápido chega a atingir o relacionamento com Deus, com a natureza, com o próprio corpo, com as pessoas e com a vida. Ai, as coisas se complicam. Nesse campo, nada pode ser rápido e, muito menos, rápido demais.
Sabemos que todo fruto delicioso amadurece lentamente; que para ser bem sucedido na vida, precisamos passar por um processo de aprimoramento; que o imediatismo prejudica a vida e mutila o relacionamento humano; que educação é semear com sabedoria e colher com paciência. Por isso, a vida, o corpo humano, a natureza e a própria história estão sempre nos ensinando a esperar moderadamente; a dar tempo ao tempo; a não utilizar sempre a pressa, sob pena de prejudicar o resultado esperado.
Na saúde, a tendência ao resultado rápido é algo mais preocupante ainda. A propaganda apela “beba e coma a vontade, tome isso e logo se sentirá bem”, quando nós sabemos que o corpo prefere alimentos saudáveis e em dosagem adequadas. O sono deve ser respeitado, mas ainda é utilizado remédio para não ter sono. Devemos nos inspirar nos exemplares ritmos da digestão, do crescimento dos órgãos e membros do corpo, da gestação, do bem estar e do ser feliz. Tudo isso demanda tempo. Saber esperar é sinal de sabedoria.
 Em educação, mais do que em qualquer outra área de atuação humana, é fundamental o resgate do aprender a valorizar a espera. A vida clama por isso. Trata-se de um aprendizado valiosíssimo, que é pré-requisito para todos os demais.  Aprender a guardar a vez, o momento certo. Não esquecer que  reconhecimento, credibilidade, amizade e amor verdadeiro são conquistas que só se adquire com o tempo. 
Cuidado com o rápido. Ele é contraditório. Pode ser útil, como ser prejudicial; pode ser uma solução, como pode tornar-se um problema; pode atrair ou afastar; ganhar ou perder. Compete a nós educadores conduzir e preparar bem o ser humano, no sentido de saber definir corretamente quando deve ser rápido ou esperar, ceder ou não as exigências da vida moderna, que impõe rapidez em tudo que se faz. Preferimos seguir a recomendação do sábio Rei Salomão – “há tempo para tudo sobre a face da terra, inclusive tempo de lutar e tempo de viver em paz” (Livro de Eclesiastes 3.8b).

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com   

*Publicado no caderno "Jornal do Leitor" de O POVO   (27/11/2012)