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domingo, 20 de outubro de 2013

A voz da consciência

Esse tema sempre me fascinou. Gosto muito de procurar entender o meu interior. Nessa caminhada sempre chego a conclusões maravilhosas. Quando li o artigo abaixo, fiquei encantado. Apressei-me em repassar para os amigos. Foi publicado no Jornal O Povo de hoje, dia 20/10/2013, na página 28, muito bem escrito por Edilson Santana, Promotor de Justiça. Curta bem. Servirá de uma bela reflexão.

            Inspirando-se em Platão, no livro dois de A República, conta-se que Herbert pôs o anel de Giges no dedo e foi imediatamente surpreendido pelo que viu: nada. Tornou-se invisível. Tendo acostumado-se a ocultabilidade, começou a questionar o que deveria fazer. Logo veio a ideia de entrar em vestiários de mulheres, cometer pequenos furtos, desatinos, induzir pessoas ao erro e à infelicidade. Porém, pretendia resistir a tais impulsos, tentando imaginar o que faria de bom. No entanto, era mais tentador praticar o mal. Nesse estado, perguntava-se quanto tempo conseguiria resistir a tirar vantagens de sua invisibilidade. A qualquer momento poderia falhar. Um instante de fraqueza e lá estaria ele praticando atos imorais, espiando mulheres peladas, roubando etc. Quem, no caso dele, teria forças para resistir?
Aduz a história que a moral é constituída de proibições feitas a si mesmo, independentemente de qualquer recompensa ou sanção. Com efeito, a ocultação não autoriza ninguém a exercer a vingança, debochar dos mais fracos, praticar atos obscenos ou libidinosos, caluniar, torturar e até assassinar. A imperceptibilidade não isenta da culpa. O homem está obrigado a submeter-se às regras de moralidade universalmente válidas e exigíveis, respeitando a humanidade em si e no outro.
A lei moral é a que o indivíduo prescreve a si mesmo de forma livre e autônoma e a cumpre voluntariamente, mesmo estando sozinho. O anel de Giges é o meio através do qual se faz um teste de firmeza moral e, geralmente, revela que o ser humano, dada à sua própria condição, é corruptível. O anel desvenda a estrutura interior, revela a pessoa em sua essência, desprovida de hipocrisia. É provável que nem todos sairiam por aí cometendo atos ilícitos. Não se tornariam profissionais do crime, mas, certamente alguns direitos seriam violados.
Que resposta viria se fosse perguntado às pessoas como os outros e elas mesmas comportar-se-iam com o anel? A maior parte transformaria os semelhantes em monstros e, a si, em almas bondosas e íntegras. Isso, e somente isso, já seria grave falta de moralidade.

A moral, enfim, é “a voz imortal da consciência”, constituída por normas que as gerações milenares acumularam, retiveram, selecionaram e valorizaram. Qual a razão dessas normas? A sobrevivência e o desenvolvimento humano, os supremos interesses da sociedade e a preponderância do amor sobre a vingança, consoante ensinamento de Jesus. Eis aí em que se fundamenta a necessidade da verdadeira ética. Quem dela poderia prescindir?                               

Edilson Santana 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

As escolas e as múltiplas faces das reuniões de pais

Resolvi fazer uma retrospectiva, uma verdadeira viagem no túnel do tempo, para identificar as mudanças ocorridas nas reuniões de pais e mestres, promovidas tradicionalmente pelas escolas. A conclusão foi maravilhosa. Descobri que existem pontos comuns entre o ontem e o hoje, e ao mesmo tempo, identifiquei profundas diferenças nas diversas maneiras de acontecer. Eis um resumo do que constatei.
A necessidade de reunir escola e família para tratar de assuntos educacionais comuns foi constatada em todos os momentos. Desde os anos sessenta, período inicial da retrospectiva, até os dias de hoje, sempre aconteceu tais encontros. Nos últimos anos chegou a ser considerado indispensável para a elaboração e execução da proposta pedagógica de cada escola. Resistiu até mesmo o corre-corre da vida moderna. Forte demonstração de que juntos, escola e família, se sentem melhores.
Em algumas escolas a freqüência é quase sempre animadora, enquanto noutras o resultado é tão desestimulante que logo é cogitado se vale a pena continuar promovendo tais encontros. A boa freqüência é constatada mais no interior e na periferia da capital, enquanto nas escolas de bairros com melhor poder aquisitivo a freqüência é proporcionalmente bem menor.
Inicialmente a presença era predominantemente das mães. Com o passar do tempo, os pais foram se aproximando e hoje há equilíbrio de freqüência entre pais e mães. Isso denota que as mães foram assumindo a responsabilidade também de provedora e os pais foram assumindo a responsabilidade de também cuidarem dos filhos.  Essa é a parte mais linda e significativa de tudo que foi constatado.
Na maioria das escolas, o tempo, a pauta e a metodologia adotada deixam muito a desejar. Essa foi a parte mais triste das constatações. Não estão em sintonia com os interesses e ansiedades dos pais; não estão atentas as mudanças do mundo moderno; desconsideram a objetividade no trato dos assuntos; ignoram a distribuição do tempo; os assuntos gerais são mais destaques elogiosos a atuação da escola, advertências aos pais omissos e criticas ao mundo de hoje; os assuntos específicos sobre como está a turma do seu filho, nem sempre é dedicado o tempo necessário.

Muitas outras observações podiam ser feitas, mas as que foram ditas são suficientes para demonstrar que o assunto necessita ser revisto e repensado. Por ser um tema de alta importância para a educação, o melhor presente que a escola poderia dar aos pais nesse mês de agosto seria iniciar um processo de modernização das reuniões de pais e mestres.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

domingo, 11 de agosto de 2013

UMA HOMENAGEM AOS PAIS MATERNOS



Vejo com certo encantamento o surgimento de uma geração de pais que não se intimidam em realizar tarefas antes tidas como femininas. Tenho orgulho deles. Em vez de ficarem reclamando e se maldizendo do ingresso da mulher no trabalho, preferiram entender o novo tempo e passaram a se envolver também com as tarefas domésticas. Foi a forma que encontraram para apoiar à mulher que agora estava ajudando também no sustendo da família. Isso se chama sabedoria. A paz em família começa por ai. Muito justo, pois, nesse mês que é dedicado aos pais, prestar uma merecida homenagem a todos os pais que se tornaram também maternos, sem medo de perder a sua masculinidade.


Sobre o assunto, transcrevo parte da entrevista como chefe do departamento de psiquiatria da criança e do adolescente do hospital de Salpêtrière, em Paris o psicanalista Serge Hefez, publicada pela Revista Cláudia de agosto 2013, n* 8, Ano 52. Ele está habituado a receber a família de seus pacientes. Em 25 anos de experiência, quase sempre era a mãe que comparecia ao consultório. Mas, nos últimos tempos, ele vem notando que, em um número crescente de vezes, é o pai que acompanha o tratamento do filho. É um sinal claro, defende o especialista, de que há homens em plena transformação, cada vez mais disposto a assumir tarefas tidas como femininas. “Isso gerou uma crise em torno do conceito de masculinidade”, afirma Hefez, autor de Homens no Divã (Benvirá), livro recém-lançado no Brasil. Eis três de suas constatações.

1. HOJE ELES SE IMPORTAM MAIS COM A PROLE. “De modo geral, os homens sempre gostaram de ter filhos, mas só agora começaram a estabelecer maior conexão com as crianças, a se interessar pelas necessidades delas e a participar das necessidades delas e a participar dos cuidados desde o início da vida. Alguns pais de hoje trocam fraldas e alimentam o bebê. Isso porque, finalmente, eles perceberam o poder que os pequenos têm de enriquecer os adultos. Por meio dos filhos, passam a se ver completos, sentimento que antes era relacionado apenas à natureza da mulher.”

2. NOVOS CONCEITOS ESTÃO SE FORMANDO. “As mulheres conquistaram o mercado de trabalho pra valer e hoje lideram em vários campos. Os homens, por sua vez , estão ingressando nas áreas tradicionais delas, como a casa e os filhos. Mas isso não significa que estão se tornando mais femininos. Acredito que todos nós caminhamos para ser ‘pessoas universais’. Ao vestir tailleur, a mulher não se masculinizou e, ao cuidar do lar, o homem não perdeu a sua masculinidade. Os conceitos mudaram.”

3. UMA CRISE ESTÁ TORNANDO OS HOMENS MAIS AMOROSOS. “Vejo que muitos se perguntam o que significa ser homem em nossa sociedade, porque houve uma revisão de papéis. Ambos os sexos agora podem assumir os mesmos papéis- e estão assumindo. As mulheres tiveram questões semelhantes há alguns anos: ‘se for trabalhar, ainda sou mulher? Ou: ‘o que é ser bom pai?’ No consultório, observo que há homens muito interessados em ser mais amorosos e atenciosos com os filhos e a parceira.”

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O despertar da sensibilidade que existe em cada um

Essa semana foi riquíssima em experiência. Cada qual a mais preciosa. Todas me impressionaram muito e me conduziram à valorização dos sentimentos humanos. Começou com o lançamento de um livro de poesia. Na apresentação, destaque para a sensibilidade do autor e a beleza de suas poesias. Depois, no face, um jovem acadêmico de economia da UFC expõe a sua sensibilidade exaltando a beleza de um dia nublado. Sua narrativa é encantadora! Na praia, um amigo curitibano mostra-me as fotografias que tirou nas praias de Morro Branco. Uma chamou-me a atenção. Nada demais. Apenas dois cocos verdes, com a parte de cima aberta e cada um com um canudo, encostados um ao outro como dois seres se amando. Um toque de sensibilidade em dois seres brutos. Por fim, um jovem catador de lixo, em plena rua da aldeota. Muito educado, simpático e com aparência de pessoa feliz. Em seu “carro”, estava uma rosa que, por certo encontrou por ai. Como o sinal demorou, pude ver de perto a bela paisagem e curtir aquele momento lindo.
Essas experiências mexeram comigo. Passei um bom tempo analisando a resistência de muitas pessoas ao relacionamento superficial que teima em existir. Vi claramente um antagonismo entre o mundo moderno da tecnologia, com ênfase ao material e o pós-moderno que surge valorizando as pessoas e seus sentimentos.
Cada pessoa é dotada de sentimentos e valores humanos. Em alguns, a vida ceifou esses belos sentimentos. Em outros, houve cultivo, por isso cresceram e embelezaram o mundo. Nesse contexto, cabe a nós educadores, tanto em família como na escola, ficarmos atentos, primando pelo cultivo desses belos sentimentos e eliminando qualquer ação que venha atrofiá-los.

A nossa atuação pode ser de várias maneiras em qualquer tempo. Não precisa determinar. Tem apenas de ser urgente e envolver todas as pessoas, em qualquer que seja a circunstância. O desfio é enorme – precisamos despertar a sensibilidade que existe em cada ser humano. Agora, mão a obra. É simples, pode até começar com pequenas perguntas ao filho ou aos alunos. O que você diz da cor dessa porta? Qual a diferença entre o jogo do Brasil com a Espanha e a luta do Anderson na UFC? Por que as nuvens estão indo naquela direção? Por que o Congresso Nacional está agora agindo tão rápido? Por que tememos algumas pessoas e outras não?  Quem já presenciou o por do sol? O que mais lhe toca, a lua nova ou a lua cheia? O que você tem a dizer sobre um ônibus lotado, uma cadeira quebrada ou uma pessoa morando na rua? Andar na praia traz alguma sensação em você? E um pássaro cantando? Que diferença existe entre um sorriso, uma cara fechada e um olhar triste? Ah,como temos belas perguntas a fazer!    
José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

quarta-feira, 12 de junho de 2013

EXISTE A IDADE CERTA PARA COMEÇAR A NAMORAR?

Já houve tempo que os pais estipulavam 15 anos para as meninas e 18 para os meninos, embora o controle maior fosse com relação às meninas.  Algumas obedeciam, mas para outras, o jeito era namorar escondido. Hoje, ainda há recomendação, porém sem muito rigor. Mas, realmente há ou não a idade ideal para emplacar o primeiro namoro? Se há, baseado em que ela foi a escolhida?
Por força da enorme variedade de tipos de pessoas, acredito que nenhuma idade pode ser eleita. Existe, sim, a idade ideal para cada pessoa, mas não uma única para todo mundo. Seria o mesmo que impor o manequim 42 para todos. Para uns ia ficar apertado ou folgado; para outros, o tamanho ideal.
Analisemos as situações a seguir: a) uma menina no início de sua adolescência é feliz em ter amigas, mas não tem nenhum interesse em namorar; b) um menino gosta de estar só ou com certos amigos, mas não passa por sua cabeça namorar tão cedo; c) um menino, em pleno Infantil III, gosta dos amigos, mas tem uma paixão pelas amigas e já escolhe uma para dizer que é a sua namorada; d) uma menina, ainda na 2ª. serie, já sonha com o seu príncipe e demonstra uma grande dosagem de romantismo. Como determinar a idade x ou y para todos eles começarem a namorar? Como se percebe, idade não é o mais importante.
Importante mesmo é apresentar aos nossos filhos ou alunos, princípios e orientações sobre o namoro. Tais ensinamentos serão os guias, o norte de toda a relação amorosa e servirão para a vida inteira.
Idade certa não vem ao caso, pois ela depende da maneira de ser de cada um. Isso não significa falta de limites. Significa apenas o respeito às diferenças individuais. Uns podem começar mais cedo, outros mais tarde. Não devemos nos angustiar com isso. Trata-se do tempo de cada um. Descobrir esse tempo é uma boa tarefa e um grande desafio para ser tratado em conjunto, pais e filhos ou orientadora e alunos. Tudo numa boa. Sem estresse, sem pressão. Naturalmente chegaremos a uma sábia conclusão.
Criticas ou incentivos para demorar ou apressar o namoro, via de regra, não funcionam bem. Precisa-se ter muito cuidado quando tiver de entrar nessa área. Às vezes é necessário. A situação justifica. Mas, em todo caso, só com muito respeito às particularidades de cada um. Ai sim, as possibilidades de acertos são bem maiores.

Famílias e escolas devem trabalhar bem, preferencialmente em conjunto, a questão do namoro. Essa fase é rica em aprendizagem. É nela que ocorre a verdadeira preparação para a futura relação conjugal. Apesar da delicadeza do assunto, é muito prazeroso orientar os filhos ou os alunos que cuidamos sobre a beleza da vida amorosa. Feliz dia dos Namorados.
José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A CORAGEM, O SILÊNCIO E A ANGÚSTIA DAS MÃES


Mãe é algo muito sublime. Falar sobre elas requer sensibilidade. Entender a profundeza de seus pensamentos, o sentido do seu silêncio, a beleza de suas deduções exige recursos especiais e nem todos nós estamos aptos a utilizá-los. Mas, graças a Deus isso é possível. Basta querer e crescer nesse sentido.
Convivi e convivo com muitas mães. De todas as idades e das mais variadas situações. Aprendi muito com elas. Nelas encontrei inspiração. Delas vieram os exemplos mais lindos de carinho, cuidado, lealdade e cumplicidade. No meu modo de entender, sem elas a vida perderia o sentido. Aliás, não haveria vida.
Desejo destacar duas mães. Ambas historicamente muito conhecidas. Uma é a mãe que compareceu perante o Rei Salomão pedindo para julgar o litígio que travava com outra mulher, na disputa de quem era verdadeiramente a mãe de determinada crianças. Salomão surpreendeu as duas, determinando que o soldado partisse a criança ao meio e desse uma banda para cada. Uma delas gostou da idéia, mas a outra, e é essa que desejo homenagear, gritou e pediu para não fazer isso. Preferia perder a criança a vê-la mutilada. Salomão deu a criança a ela e disse :você é verdadeiramente a mãe dessa criança”. 
A outra mãe que faço menção honrosa e quero homenagear neste texto é Maria, mãe de Jesus. Ela sabia que Ele era o Filho de Deus, antes mesmo dele nascer. Porém, preferiu obedecer a ordem Divina e guardou essa revelação em silêncio, bem no fundo do seu coração. Essa cumplicidade perdurou por mais de trinta anos. Guardar no coração não é fácil. Às vezes dói, mas Maria suportou muito bem. Hoje, todos nós fomos beneficiados por essa belíssima atitude de Maria. Ela não precipitou os acontecimentos. Deixou tudo acontecer conforme Deus havia dito e Jesus pode concluir a sua obra e cumprir a sua missão.
Na escola, o contato com as mães é muito intenso. Elas são presenças constantes. Ora agradecendo ou reclamando; elogiando ou criticando, mas sempre presentes. São conscientes que a escola é fundamental para a educação do filho. Sentem que sozinhas fica mais difícil cumprir sua missão de mãe. Às vezes se angustiam e é por isso que chegam até mesmo a atrapalhar o trabalho da escola.
Aproveitando a semana das mães, fica aqui o apelo a todos nós que somos operadores da educação, no sentido de que tenhamos paciência com as mães de nossos alunos. Elas precisam da nossa ajuda e clamam por alguém que as compreenda. Vamos apagar qualquer lembrança negativa que ficou em nossa mente por causa de alguma agressão por parte de determinada mãe. Perdão para elas. O momento é de compreensão e colaboração. Vamos caminhar juntos, de mãos dadas. Agindo assim, quem ganha é a educação e por via de conseqüência, o nosso aluno. Às mães com carinho, colegas educadores

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

quarta-feira, 3 de abril de 2013

HISTÓRIA INFANTIL – A PRÓPRIA CRIANÇA SENDO AUTORA.


Li recentemente uma matéria com o escritor espanhol Gonzalo Moure, produzida pela Jornalista Aryane Cararo, sobre literatura infantil, publicada no Jornal O Estado de São Paulo, em 07/03/2013, com o seguinte título `Há razões para ignorar a literatura infantil`. No texto, uma contundente crítica – os autores brasileiros não avançaram. Diferentemente, segundo o entrevistado, os autores americanos e europeus inovaram, evoluíram, por isso avançaram.
 A fundamentação da crítica era que os textos, as histórias na literatura infantil brasileira eram escritas para a criança, mas com forte viés em quando se tornar adulta. Não visava a criança pela criança, mas a criança adultinha, projeto de adulto.
Com essa preocupação, a criança deixava de ser o objetivo maior. A preocupação era formar adultos. Ele desafiava – percam o medo e tenham a coragem de escrever para a criança hoje e não para o adulto de amanhã.
Refletindo sobre essa crítica, veio-me uma idéia e passo para os leitores. Que tal utilizar a própria criança para escrever as suas histórias? Nas idades entre 5 e 8 anos, a criança gosta de ouvir e é fértil em criar histórias..Elas interagem com quem está contando. Completam a narração, inventam detalhes e chegam a desviar para outra idéia. Isso ocorre entre as series do Infantil V até a segunda do Fundamental. Em meio a essas idades, em muitas escolas, é feito o lançamento de um livro contendo os textos da própria criança. Trata-se do primeiro livro escrito por ela. Os pais adoram. Os educadores vibram demais. Esse evento emociona. Trata-se de uma linda solenidade, fortemente cultural e afetiva.
Os educadores bem que poderiam aproveitar esse tradicional evento para incluir em seus livros histórias criadas e contadas por elas mesmas. Pode ser em texto ou contada por elas e a professora transcrevia. Depois, selecionava as melhores histórias e seriam publicadas em um livro de histórias infantis contadas pelas próprias crianças. A vantagem é que as histórias seriam de crianças para crianças, sem preocupação de formá-las adulto.
A outra vantagem é que seria um grande laboratório para captar as histórias infantis que realmente sejam de interesse das crianças. Os escritores brasileiros teriam um grande acervo sobre o que as crianças pensam e gostam. E mais ainda, estaríamos descobrindo e aperfeiçoando grandes talentos, exímios escritores.
Quem se habilita? Estamos no início do ano letivo. Dá tempo planejar para lançar nas festas de fim de ano. No próximo dia 18 de Abril teremos grandes debates, exposições  e comemorações em face do 18 DE ABRIL SER O DIA NACIONAL DA LITERATURA INFANTIL. Ótima data para lançar o projeto.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com  

Livro Infantil é um mundo de fantasias em cada página

Achei simplesmente magnífico o texto abaixo, escrito por Marcelo Brandão - Agência Brasil - 02/04/2013 - Brasília, DF sobre a literatura infantil. É gostoso de ler. Pode curtir.
Era uma vez... É assim que tudo começa. São três palavras simples, mas quando estão juntas abrem as portas para um mundo novo, imprevisível. O primeiro “era uma vez” de uma criança normalmente é seguido de outros tantos. É uma viagem sem volta. E realmente desse mundo fantástico ninguém quer voltar.
O contato com livros infantis não tem idade mínima nem contraindicação. Estimula a criatividade e mostra um infinito de possibilidades, não só na imaginação. “Os livros de hoje incluem textura, relevo e o livro trabalha essa questão sensorial. Hoje, as crianças têm muito mais oportunidades de serem estimuladas. Em um livro você trabalha visão, tato e noção de profundidade em crianças muito pequenas”, explica o neuropediatra Christian Müller.
Mas o livro não é apenas para crianças que já sabem ler. Essa relação pode começar muito antes, com benefícios que vão muito além da história. “A construção de interpretação textual, utilizada na escola, começa na imaginação. E a imaginação é despertada com os livros que os pais leem para suas crianças. Importante também é o vínculo, que é estreitado quando os pais leem histórias para seus filhos ”, diz Müller.
Hoje (2), se comemora o Dia internacional do Livro Infantil, para lembrar que, há 208 anos, nasceu o dinamarquês Hans Christian Andersen. Muitos não conhecem esse nome, mas certamente não se esquecem de suas obras: O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia e A Polegarzinha. A origem humilde do escritor não impediu que criasse histórias que encantaram gerações por todo o mundo. Na verdade, o contato com diferentes níveis sociais o ajudou a construir o contraste percebido em várias de suas narrativas.
O Brasil também tem seu “Hans Andersen”: José Bento Renato Monteiro Lobato. O dia de seu nascimento, 18 de abril, foi adotado no país como o Dia Nacional do Livro Infantil. Grande parte das histórias infantis de Monteiro Lobato é ambientada no Sítio do Picapau Amarelo. O sítio transporta o leitor para um Brasil rural, simples e inocente. Seus personagens, muitos deles crianças como os próprios leitores, estimulam a fantasia e a imaginação em suas aventuras. “De escrever para marmanjos já estou enjoado. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo”, teria dito o escritor.
Nós adultos, tão aborrecidos e anestesiados pelos afazeres que desabam sobre nossas costas, muitas vezes esquecemos da época em que fomos piratas dos sete mares, vivíamos em reinos encantados e conversávamos com astutos animais. Pobre é a criança que tem pressa de crescer, porque muitos adultos dariam fortunas para ser como ela por um dia que fosse.

segunda-feira, 25 de março de 2013

”HÁ RAZÕES PARA IGNORAR A LITERATURA INFANTIL”





Transcrevo, na íntegra, importante matéria sobre a Literatura Infantil, por conter a opinião de quem se especializou no assunto e por ser oportuna, vez que estamos prestes a comemorar o Dia Nacional da Literatura Infantil, 18 de Abril. Bom proveito.




EDITORIAIS 

`Há razões para ignorar a literatura infantil`, diz escritor espanhol 

ARYANE CARARO - O ESTADO DE SÃO PAULO - 07/03/2013 - SÃO PAULO, SP 

BOGOTÁ - A literatura infantil é uma literatura de segunda classe? A pergunta por
si só já soa polêmica, mas a resposta do escritor espanhol Gonzalo Moure pôs fogo
nesta discussão nesta quinta-feira, 7, durante o 2.º Congresso Iberoamericano de
Língua e Literatura Infantojuvenil (Cilelij), realizado pela Fundação SM na Colômbia
até sábado,
9. “Há, de fato, razões para ignorá-la ou marginalizá-la. Eles têm razão para não nos
enxergar, pelas nossas próprias limitações. Somos como pássaros dentro de gaiolas.”
E as grades são a concepção de que um livro infantil tem de servir para educar, para
formar, para prevenir. Elas fizeram com que a literatura infantojuvenil, segundo
ele, não progredisse nos últimos dez anos. 

Para Moure, há dois tipos de escritores hoje: os que escrevem com mais vontade de
ensinar e os que querem fazer literatura. Ainda assim, entre esses dois há muita
intenção moralizante, quando não função pedagógica. O que está acontecendo,
segundo o escritor, é que não há uma preocupação em formar “pessoinhas”, mas,
sim, de formá-las à nossa maneira. E, assim, “não estamos sendo sinceros com elas”,
defende Moure. 

“Na vida cotidiana, poucas vezes somos capazes de nos dirigir às crianças de forma
horizontal sem tentar ensinar. A literatura infantil não é infantil nunca e a juvenil
poucas vezes é juvenil. São os adultos, possuidores de valores humanos e
humanísticos firmes, que escrevem para eles e este “para” é o pecado original
da literatura infantojuvenil.” Isso se reflete em obras literárias de cunho pedagógico,
com livros destinados à prevenção e que não abordam assuntos considerados tabus,
como sexo e religião. 

“O editor, disfarçadamente ou conscientemente, publica livros que tenham essa
qualidade. E o escritor se submete a essa exigência.” É isso o que faz com
que a literatura infantojuvenil seja vista ou classificada como um subgênero
literário, explica ele. Segundo Moure, o mundo é ainda muito polarizado nos
livros para crianças e jovens, o bem versus o mal está sempre presente nesse
tipo de escrita. “Se ela não se desprender do maniqueísmo imperante,
será sempre um subgênero.” 

Outro problema apontado por ele é que, nas últimas três décadas, houve
e ainda há uma tendência realista predominante na literatura infantojuvenil.
“Isso não tem de ser a única oferta para as crianças. Sinto que nós,
escritores, estamos estancados. Não progredimos na última década.” Para ele,
os textos literários ficaram todos muito iguais, na forma de abordagem
e nos assuntos. “Precisamos de algum ponto de ruptura”, continua. E este
ponto passa, segundo ele, pela entrada de novos autores no circuito editorial.
“Quero ver vozes novas que não repetem o que já foi escrito, o que minha
geração já fez. Quero encontrar algo que me surpreenda, que escandalize.
E isso não tem nada a ver com sexo.” 

O que seria, então, a verdadeira literatura? “A verdadeira literatura não
responde a nada nem a ninguém. Ela recria o mundo sem se importar
se o resultado final é correto ou incorreto.” Moure deixa claro que não há
receitas ou fórmulas, apenas acredita que a literatura infantojuvenil não
deva ter nenhuma obrigação, como qualquer outro gênero literário.
Ela tem de ter apenas qualidade e liberdade. Ele diz, por exemplo,
que não pede nada da literatura, só que ela o agrade, que o emocione.
“Devemos ensinar a perguntar e não ensinar o que já sabemos. A revolução
na educação e na literatura vai se dar por aí.” 

* A jornalista viajou a convite de Edições SM Brasil

terça-feira, 5 de março de 2013

SENTIMENTO DE FRACASSO


Fico encantado quando me deparo com texto que visa mais orientar e consolar do que criticar e atormentar. Curto muito esse tipo de colocação. Serve de lenitivo para o sofrimento humano. Eis um deles.
ROSELY SAYÃO - FOLHA DE SÃO PAULO - 26/02/2013 - SÃO PAULO, SP
Há algum tempo tenho percebido que diversas mães se declaram incompetentes diante de sua tarefa de educar os filhos. Há também as que se sentem fracassadas quando percebem que o que elas almejavam para os filhos não se concretizou.
Claro que há pais que se sentem da mesma maneira, mas minha experiência aponta um número maior de mulheres sofrendo com esses sentimentos.
Há uma tendência social de se avaliar a mulher pelo êxito do seu filho, isso desde a mais tenra idade.
O filho andou precocemente? Já escreve e identifica o próprio nome escrito em letras aos três anos? Desenha como um artista? É um dos primeiros alunos da classe? Tem destaque na escolinha de futebol? Entrou na faculdade considerada top?
Ah! Mães com filhos que realizam tais feitos costumam ser avaliadas como boas mães. Elas souberam o que fazer e como fazer para que os filhos atingissem tais feitos costumam considerar as pessoas com quem essas mães convivem.
Já se o filho não fala corretamente, faz birra em público, não gosta de estudar, dá trabalho para comer, repete o ano escolar e é desobediente, coitadas dessas mães! Não sabem como exercer bem o seu papel, pensam outras pessoas, sem disfarçar os olhares reprovadores. E, então, indicam profissionais para acompanhamento da criança, literatura especializada, revistas e programas de TV que certamente irão ajudar a pobre mãe. Até a escola costuma fazer orientações para pais.
Você deve ter percebido, caro leitor, que ser mãe ou pai na atualidade ganhou um caráter quase profissional.
Há uma infinidade de recursos disponíveis, hoje, para mulheres e homens que queiram realizar bem sua tarefa com os filhos. Não estranharei se, em breve, for criado um curso de pós-graduação lato sensu sobre educação de filhos.
Sim, porque até agora os cursos tratam de alunos, papel social muito diferente do de filhos, não é?
Dá, portanto, para começar a entender o sentimento dessas mães. Elas não se sentem especialistas em maternidade. E perseguem o tempo todo uma fórmula para dar conta do que acham que precisam dar conta.
O que elas esquecem nessa empreitada é que os filhos ficam diferentes a cada dia. E é justamente por isso que a maioria das atitudes que tomam com as crianças ou os adolescentes tem eficácia de curto tempo. E elas pensam que o que fizeram não deu certo. Deu, mas apenas por pouco tempo.
Se as mães e os pais escutarem atentamente os filhos e tiverem com eles um vínculo de proximidade, irão perceber a hora de mudar de estratégia. Eles, os filhos, dão os sinais.
Outra coisa que mães e pais precisam considerar é que as crianças do século 21 não seguem mais padrões de desenvolvimento. Cada um vive em um ambiente específico, tem um tipo de relação com os pais e, por isso, serão bem diferentes de seus pares de mesma idade. Comparar os filhos no mundo da diversidade não é, com certeza, uma boa escolha!
Mães e pais não devem se sentir fracassados ou incompetentes, pois os filhos precisam justamente do sentimento de potência que os adultos demonstram. Mães e pais não costumam fracassar: costumam errar. E não há nenhum problema em errar: os filhos superam nossos erros com mais facilidade do que nós.
E tem mais: não há certo ou errado quando o assunto é a educação dos filhos. Há princípios, há valores, há a moral familiar e social, há o bem conviver, o respeito e a dignidade. E há estratégias que funcionam por um tempo e estratégias que não funcionam, apenas isso.
Os sentimentos de fracasso e de incompetência podem inibir o exercício da maternidade e da paternidade.
Mais importantes que qualquer conhecimento específico são os afetos porque são eles que conduzem os pais.

domingo, 3 de março de 2013

A INDIGNAÇÃO DE UMA GRANDE EDUCADORA.


Li o texto a seguir, escrito por uma educadora que conheço e admiro muito. Narra as dificuldades que inúmeros pais encontram por ocasião da matrícula de seu filho com Necessidades Educativas Especiais. A indignação da educadora tem sentido. Merece uma boa reflexão.
    TEMOS MUITO A APRENDER E A ENSINAR.                                             Nos preocupamos muito com os alunos que saem de uma escola considerada "pequena" e ingressam nas chamadas “grandes escolas”. Essas crianças são frutos, muitas vezes, de  8 até 10 anos  da  dedicação de "grandes"  profissionais. E, para nossa satisfação, são academicamente  bem preparadas, alunos críticos e participativos.  São crianças “normais” e aceitas em qualquer escola, independente do tamanho que tenha.
    Mas o que dizer dos alunos  com Necessidades  Educativas Especiais (NEE)? Temos grande preocupação com o futuro dessas crianças. Já visitei algumas escolas que deveriam receber esses alunos, e sempre fico decepcionada com o que escuto: "Não estamos preparados para receber esses alunos”, ou “não temos vagas”, (o que, às vezes, pode até ser verdade), ou “não temos profissionais para acompanhá-los” ou ainda, o que é pior, “o aluno não atingiu o perfil no teste de seleção”.
    Até quando esses e outros absurdos continuarão a acontecer? Quando essas escolas vão acatar a lei? Quando irão deixar de promover apenas “alunos medalhas” e passar a promover a dignidade e a justiça?
    O acesso a educação para todos é uma realidade e um direito. Quando irão entender que o movimento de uma escola plural é mundial e inadiável?
    Existem, sim, leis e documentos específicos que  reafirmam e garantem o acesso a todos e destaca a inclusão das pessoas com NEE, entre elas, as que apresentam deficiência. É uma desculpa dizer que as escolas não estão preparadas, e não irão estar nunca, se não começarem a enfrentar a realidade, e isso só poderá acontecer quando abrirem suas portas e não apenas as rampas de acesso, isso apenas, não é suficiente. É preciso romper com as barreiras, com os preconceitos e com o medo do diferente. Alguns autores apontam que a educação inclusiva sustenta-se numa filosofia baseada na igualdade, na solidariedade e nos princípios democráticos. A convivência com o diferente só favorece a aprendizagem. Portanto  educação inclusiva não é favor, não é concessão, não é só amor, é DIREITO, e é isso que precisamos entender de uma vez por todas. O ideário da inclusão deve ser concebido como  intervenção no real. Isto é, não se deve admitir que o alunado permaneça do lado de fora esperando a escola ficar pronta para recebê-los. Trata-se de mantê-la completamente aberta com a diversidade e partir dela. Para isto, será necessário quebrar resistências, remover barreiras físicas e atitudinais, enfrentando conflitos e contradições, revendo estratégias de aprendizagens, com ênfase na construção coletiva.
    Os pais são grandes aliados dos que estão empenhados na construção da nova escola brasileira. NÃO ESTAMOS SOZINHOS E TEMOS MUITO A APRENDER E ENSINAR. Ainda tenho muito a dizer... minha  indignação é imensurável.

Regina Coeli  Furtado Câmara. Psicopedagoga e Coordenadora Pedagógica em Fortaleza.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Lauro de Oliveira Lima: um pedagogo livre e insubmisso

Por admirar muito o educador Lauro de Oliveira Lima e ter seguido, na medida do possível, os seus ensinamentos, com prazer transcrevo o Editorial do Jornal O POVO (31/01/2013), por ser um resumo perfeito da trajetória do grande educador. Eis o texto.

Hoje será cremado o corpo do educador cearense Lauro de Oliveira Lima, que morreu aos 91 anos de idade, no Rio de Janeiro, na noite da última terça feira. O Ceará e o mundo da educação em geral (e não apenas no Brasil) perdem uma das mentes mais férteis e instigantes em termos de inovação do processo de aprendizagem e dos meios mais apropriados de induzir o conhecimento, tendo sido autor de mais de 30 obras relacionadas à educação e lutado até o fim da vida contra o conformismo nessa área. 
Seu espírito insubmisso e sua ojeriza à mediocridade (“Não devemos transformar a mediocridade em valor de vida”) tornaram-no uma espécie de aguilhão contra o convencionalismo e à absorção acrítica das formas tradicionais de ensino, tendo abraçado as teorias pedagógicas de Jean Piaget, que teve nele não só um difusor fiel, mas um interlocutor de primeira linha, desenvolvendo um trabalho pioneiro no Brasil.
Filho de Limoeiro do Norte formou-se, em 1949, em Direito e, em 1951, em Filosofia. Antes disso, engajou-se no magistério secundário e casou-se com a neta de Agapito dos Santos, conhecido educador cearense, a professora Maria Elisabeth Santos de Oliveira Lima. Em 1945, foi aprovado em concurso para o cargo de inspetor Federal de Ensino, ao qual dedicou duas décadas de sua vida, a metade das quais como inspetor seccional do MEC no Ceará.
Dentre outros feitos seus está a fundação do Ginásio Agapito dos Santos, onde teve a oportunidade de iniciar suas ideias inovadoras na área pedagógica, chegando a escrever nessa época o livro Escola Secundária Moderna, que chamou a atenção do prestigiado educador Anísio Teixeira (1963). Foi quando deu reforço à metodologia da dinâmica de grupo e à divulgação de seu método psicogenético. Mais tarde fundaria em Fortaleza o Colégio Oliveira Lima e, no Rio de Janeiro, outro: A Chave do Tamanho.
O golpe de 1964 e a instauração da ditadura subsequente desencadearam sobre Lauro de Oliveira e sua família uma das mais sórdidas perseguições do regime obscurantista, tendo que deixar o Ceará, com a família, sofrendo todo tipo de vexames, inclusive prisão. 
Hoje, o Ceará sente orgulho por esse filho ilustre e homenageia seu legado intelectual e seu exemplo de fidelidade aos ideais democráticos e humanísticos.
*Editorial do Jornal O POVO (31/01/2013)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

UMA REFLEXÃO PARA O CARNAVAL.


Por causa de um longo período de feriados e um clima de brincadeiras e diversões, estas, quase sempre, com forte apelo ao prazer, o carnaval tornou-se um fenômeno popular conhecido mundialmente. Até aí, tudo bem. Nada a reclamar. Só que nessa onda muitos passam dos limites e estes limites, como sabemos, dependem da formação e a maneira como cada um foi educado. E neste particular, existem falhas, o que provoca erros, com grandes prejuízos para a pessoa em si, seus familiares e toda a sociedade. Em muitos casos, uma simples palavra, uma pequena orientação prévia evitaria grandes aborrecimentos.

O resultado do carnaval divulgado sempre entre 4ª e 5ª feiras tem sido a cada ano assustador. O número de mortes em acidentes de trânsito e por homicídios é muito grande. E o pior é que a causa principal tem sido o consumo de bebida alcoólica. A conseqüência não podia ser outra: PERDA!

Neste contexto é imperioso que se faça algo, através de ações prévias de conscientização sobre a prática de uma comemoração saudável e feliz, onde todos podem voltar do feriado numa boa, em paz e dispostos a recomeçar suas atividades com uma agradável sensação e a consciência tranqüila.

O que foi dito até aqui tem o firme e sutil propósito de sensibilizar pessoas, no sentido de que algo precisa ser feito para minimizar os efeitos maléficos do carnaval. Pode ser através de conselhos, recomendações e pequenas orientações. Tudo isso em busca da almejada paz social e da qualidade de vida.
          É UM CRIME FICAR CALADO!!!

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com  

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

CRIANÇA NORMAL


Tenho dificuldade em aceitar essa colocação. Ela me incomoda. Afinal, normal como? E as outras são anormais? Está certo rotular alguém de normal ou anormal? Em que circunstância foi dado esse conceito? Afinal, qual o modelo de criança que passou na nossa mente quando definimos ser ela normal ou anormal?
Analisemos agora alguns casos de julgamento de determinadas crianças. Algumas delas desejavam conhecer Jesus. Os discípulos proibiram. Para eles isso seria anormal, afinal criança, naquele tempo, não tinha nenhum valor. Criança normal não tentaria isso. Jesus percebeu a situação, repreendeu os discípulos e disse: ”deixai vir a mim as criancinha”. (Marcos 10:14)
No episódio do “Titanic”, o filme expõe uma jovem rebelde que desde criança fora criada com regras rígidas. Ela nunca podia ser ela mesma. Para a elite da época, criança normal era a que se submetia às posturas sociais reinantes. As demais seriam anormais. Deu no que deu.
Recentemente, em um condomínio, um senhor ficou incomodado com a brincadeira das crianças no pátio livre e falou, aos gritos: “deixem de fazer barulho, subam e vão brincar no computador, como as crianças normais”. Tenho dificuldade de comentar essa afirmação.
Vejo claramente que boa parte dos educadores tem dificuldade de educar as crianças. Ora, as endeusam e elas ficam soberanas, ou as submetem a regras absurdas. Dois extremos. Sem limites ou com limites exagerados, ou não explicados, não dá! Fica difícil educar uma criança dentro desses dois padrões.
Afinal, quando uma criança é normal? Sempre! É assim que pensa o grande educador Lauro de Oliveira Lima. É dele essa preciosidade; “as crianças não erram; cada manifestação sua revela um nível de desenvolvimento.” Portanto, é normal essa ou aquela atitude da criança. Isso não quer dizer que fechemos os olhos diante de atitudes prejudiciais ao grupo ou a ela mesma. A correção deve ser de imediato. Senão ela seguirá normalmente agressiva, embirrenta, mentirosa ou sem compromisso. Em vez disso, podemos torná-la normalmente educada, sincera e entendendo os compromissos com a vida e com os demais. Essa urgência é bíblica: “Ensinai as criancinha no caminho que devem andar e ainda quando envelhecerem não se desviarão dele”. (Provérbios 22:6).

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com  

*Publicado no caderno "Jornal do Leitor" de O POVO   (22/01/2013)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

AS CONTRADIÇÕES DO RÁPIDO.


Há certo exagero na valorização do rápido. Tudo hoje tem de ser ligeiro. E não é só em termos de tecnologia. É no comer, no conversar, no aprender, no responder, no andar, no decidir e tantos mais. O pior é quando o rápido chega a atingir o relacionamento com Deus, com a natureza, com o próprio corpo, com as pessoas e com a vida. Ai, as coisas se complicam. Nesse campo, nada pode ser rápido e, muito menos, rápido demais.
Sabemos que todo fruto delicioso amadurece lentamente; que para ser bem sucedido na vida, precisamos passar por um processo de aprimoramento; que o imediatismo prejudica a vida e mutila o relacionamento humano; que educação é semear com sabedoria e colher com paciência. Por isso, a vida, o corpo humano, a natureza e a própria história estão sempre nos ensinando a esperar moderadamente; a dar tempo ao tempo; a não utilizar sempre a pressa, sob pena de prejudicar o resultado esperado.
Na saúde, a tendência ao resultado rápido é algo mais preocupante ainda. A propaganda apela “beba e coma a vontade, tome isso e logo se sentirá bem”, quando nós sabemos que o corpo prefere alimentos saudáveis e em dosagem adequadas. O sono deve ser respeitado, mas ainda é utilizado remédio para não ter sono. Devemos nos inspirar nos exemplares ritmos da digestão, do crescimento dos órgãos e membros do corpo, da gestação, do bem estar e do ser feliz. Tudo isso demanda tempo. Saber esperar é sinal de sabedoria.
 Em educação, mais do que em qualquer outra área de atuação humana, é fundamental o resgate do aprender a valorizar a espera. A vida clama por isso. Trata-se de um aprendizado valiosíssimo, que é pré-requisito para todos os demais.  Aprender a guardar a vez, o momento certo. Não esquecer que  reconhecimento, credibilidade, amizade e amor verdadeiro são conquistas que só se adquire com o tempo. 
Cuidado com o rápido. Ele é contraditório. Pode ser útil, como ser prejudicial; pode ser uma solução, como pode tornar-se um problema; pode atrair ou afastar; ganhar ou perder. Compete a nós educadores conduzir e preparar bem o ser humano, no sentido de saber definir corretamente quando deve ser rápido ou esperar, ceder ou não as exigências da vida moderna, que impõe rapidez em tudo que se faz. Preferimos seguir a recomendação do sábio Rei Salomão – “há tempo para tudo sobre a face da terra, inclusive tempo de lutar e tempo de viver em paz” (Livro de Eclesiastes 3.8b).

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com   

*Publicado no caderno "Jornal do Leitor" de O POVO   (27/11/2012)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A ESCOLA E A PREVENÇÃO AOS MAUS TRATOS À CRIANÇA.


A sociedade brasileira já formou a consciência de que é necessário prevenir e combater a violência doméstica contra criança e adolescente. E nessa prevenção e combate a participação da escola é fundamental. No Estado do Ceará, toda escola, pública ou privada, está autorizada a criar uma comissão denominada “Comissão de Atendimento, Notificação e Prevenção à Violência Doméstica Contra Criança e Adolescente”. Isso por força da Lei Estadual de nº 13.230, de 27.06.2002. Justifica-se a criação dessa Comissão por parte da escola, não só pelo aspecto legal, mas, principalmente, pelo seu valor social.
É importante lembrar que maus tratos não ocorrem apenas na classe social mais baixa. Eles estão presentes também nas demais classes sociais. São praticados, às vezes, pelo vizinho, por um parente, por um empregado da casa ou por pessoas que nunca imaginamos. E nessa ocasião a escola pode ser muito útil, pois a maioria absoluta dos maus tratos à criança acontece no ambiente doméstico, o que dificulta a identificação. Isso é estarrecedor, mas é a pura verdade.
A atuação da escola deve ser precedida de cuidados especiais. Se não for adequadamente conduzida, pode acarretar um mal estar com as famílias, dada a delicadeza de se interferir no modo de como os pais ou responsáveis estão tratando seus filhos ou dependentes. Daí porque a escola precisa ficar atenta ao seguinte: a) nunca criar um clima de terror diante de qualquer sintoma, deduzindo logo que está havendo maus tratos; b) ao constatar qualquer indício de maus tratos, apurar de forma discreta e muito sigilosa; c) no momento que for abordar os pais ou responsáveis sobre o assunto, que se faça com naturalidade, da mesma forma que se trata de qualquer outro problema educacional; d) se durante a abordagem, os que forem chamados utilizarem de subterfúgio ou intimidação à escola, educadamente deve-se mostrar a seriedade do caso e a responsabilidade legal da escola; e) evite-se, a todo custo, polêmica e desentendimento, devendo manter-se sempre o clima de respeito, cordialidade e profissionalismo na apuração da ocorrência; f) nunca dê margem a se cogitar em constrangimento ou falta de sigilo que o caso requer; g) as professoras e os professores sejam orientadas(os) a ter um olhar vigilante, atentos para identificar qualquer alteração física ou psicológica em seus alunos, e, em percebendo, comunicar de imediato à coordenação ou direção para receber orientação dos procedimentos a seguir. 
Diante de tudo isso, não custa nada arregaçar as mangas e administrar, com competência e cuidado, mais uma das muitas missões que nos são confiadas. Esse é mais um desafio para nós educadores. Mãos à obra.  

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com