Boas vindas

O objetivo principal deste blog é edificar vidas.

Os artigos e informações aqui contidas visam tão somente tornar as pessoas mais conscientes de si; seguras na busca do entendimento sobre o mundo, os fatos, as pessoas; acreditem mais na construção de um mundo melhor e na beleza da criatura humana. Bom proveito !

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

OLHAI PARA OS LÍRIOS DO CAMPO.



“Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam, 
E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.  A simplicidade desse texto é impressionante. Traz lições grandiosas. Envolve a figura extremamente simples de uma plantinha que produz flores lindíssimas, de cores variadas. Faz parte (Mateus 6:28) do famoso Sermão da Montanha, proferido pelo Mestre dos Mestres, Jesus.
Sabiamente foi utilizada a forma imperativa: olhai! Ecoa como uma chamada à percepção da beleza das atitudes simples. Isso, diante de um mundo cada vez mais sofisticado e complexo, significa um contra ponto na maneira como temos percebido a vida. Trata-se, pois, de uma ordem, em forma de uma advertência. Cumpre-nos, pois, simplesmente, segui-la.
Em educação essa postura é fundamental. Podemos tirar grandes lições do cotidiano. Selecionei as mais recentes. Em todas elas estavam embutidas grandes lições. Eis algumas, para a sua apreciação. Olhai para elas com percepção e carinho.
Olhai para o Bruno. Ele presenciou um senhor caindo da bicicleta e postar-se no chão, sangrando muito. Parou, cuidou dele e o conduziu a um hospital. Não sabia de quem se tratava. Só depois, descobriu ser uma autoridade.
Olhai para uma senhora que estava no restaurante e viu quando uma mãe partiu para agredir com palavras a pessoa que tomava conta dos brinquedos. O incidente foi por conta da censura ao comportamento de seus filhos. Essa humilhante cena durou muito. Até que a senhora resolveu defender a colaboradora, mostrando que a advertência deveria ser aos seus filhos. Eles, sim, estavam humilhando a colaboradora. Revidou com veemência a atitude grosseira dessa mãe e mostrou seus erros na educação dos filhos. Que coragem e como fez com sabedoria.
Olhai para uma jovem aluna de colégio classe A. Ela estava indo apressada, em direção a sua sala de aula, quando uma zeladora com as mãos ocupadas deixou o cabo da vassoura cair para o lado, atrapalhando a passagem. Essa jovem, mesmo estando atrasada, teve a iniciativa de se aproximar, parou e levantou a vassoura. Continuou apressada, para não perder a aula. Fiquei encantado com essa atitude. Adorei presenciar a sena!
Olhai para uma senhora distribuindo comida aos gatos, na praça que eu faço as minhas caminhadas. Ela tem o costume de fazer isso todos os dias. Fiquei pensando e conclui que essa pessoa era uma mulher virtuosa. Que lição!
Olhai para a crescente troca de gentileza no trânsito. Antes, quase não havia. Hoje, na maioria dos casos, a pessoa beneficiada, gentilmente, agradece com o dedo polegar para cima, com uma pequena buzinada ou baixando o vidro e acena agradecendo. Recentemente, aprendi mais uma maneira de agradecer a gentileza no trânsito. O carro que atendi permaneceu na minha frente. A pessoa então deu um pisca alerta bem rápido e parou. Adorei a criatividade!
Olhai para os lírios do campo. Olhai para “os lírios” da vida urbana.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

segunda-feira, 30 de abril de 2012

UMA REVELAÇÃO MUITO PESSOAL


Segundo o sábio Salomão, há tempo para tudo sobre a face da terra. E eu sinto que o meu tempo agora é de tirar o pé do acelerador. O corre-corre da vida exige velocidade e eu sempre correspondi a essa exigência. Porém, no meu tempo atual, preciso diminuir essa correria. Não vai ser necessário parar, apenas manter o ritmo na velocidade regulamentada pela vida entre 40, 60 ou 80 km, dependendo das circunstâncias. É como se o meu corpo estivesse pedindo para ser melhor dirigido. Nas minhas reflexões e nos meus momentos de silêncio, consegui entender o meu corpo e ouvi claramente a sua meiga e humilde voz. Tomei o propósito de atender esse clamor, mas não tem sido fácil. Ainda bem que descobri não ser impossível. Para tanto, basta ter sabedoria na administração do tempo e disciplina para seguir.
É o que venho, há tempo, tentado fazer. Porém, sempre tenho me deparado com dificuldades, pois os desafios são grandes. A vida moderna, aliás, pós-moderna, impõe muitas exigências, dentre elas, algumas que podemos relegar sem maiores prejuízos e outras que o não atendimento trará conseqüências das mais perigosas ou mesmo fatais.  Nestas, destaco a saúde, a convivência conjugal e familiar, a espiritualidade e a renda pessoal. Destes, tenho sido vitorioso na conivência conjugal, familiar e na espiritualidade. Já quanto à renda e a saúde, apesar do relativo êxito obtido até agora, ainda exigem cuidados. Esta é a razão da minha decisão de, progressivamente, ir me afastando de algumas instituições, que atuo como voluntário.
Dentre elas, o precioso Tribunal de Ética e Disciplina – TED, da OAB. Não foi fácil tomar essa decisão. Desejava ser mais útil a nossa OAB, através do TED. Mas, nos últimos anos, tenho encontrado dificuldade de estar presente e de pesquisar, a fundo, os processos para dar um Parecer que faça justiça, pois não me contento apenas em justificar o voto. Prefiro ir além, até encontrar as verdadeiras razões para opinar, com segurança, sobre a procedência ou não da representação. Isso tudo exige tempo livre, o que realmente não tenho.
Duas outras instituições eu tive também de deixar. Uma, é a CNEC, entidade sem fins lucrativos, que atua na área educacional. A outra é o Lar de Crianças Davis que abriga filhos de detentos, sem família estruturada para acolhê-los. Assim, pedi o meu desligamento dos trabalhos voluntários sistemáticos que eu realizava nessas instituições. Continuarei apenas realizando eventuais trabalhos voluntários, da forma como eu sempre me dispus a fazer.
Para dar uma idéia da imperiosa necessidade de administrar melhor o meu tempo, segue uma pequena demonstração: a) preciso dormir, impreterivelmente, entre oito e nove horas por dia; b) tenho que, diariamente, fazer as minhas refeições, com espaço entre elas, no mínimo, de três a quatro horas; c) essas refeições têm de ser saudáveis, portanto, devo evitar refeições fora de casa; d) é importante caminhar 30min diariamente ou 1h em dias alternados; e) não posso deixar de reservar, pelo menos, duas horas por dia para leitura; f) tenho que disponibilizar, em média, três a quatro horas por dia para produzir petições, artigos, orientações aos clientes e responder e-mails profissionais; g) o trabalho que desenvolvo, exige visitas e encontros, fora as audiências, o que ocupam um bom espaço de tempo; h) é precioso deixar espaço para lazer, meditação e relacionamentos. Para atender essa demanda de tempo, fui obrigado a diminuir o trabalho voluntário e racional o meu trabalho profissional.
Hoje, 30 de abril, completo exatamente os meus 66 anos de existência. Desejo viver por muito tempo. Preciso, pois, cuidar bem da minha saúde. Sem ela, nada tem valor. Ao longo dos últimos 10 anos, já tive AVC por três vezes. As seqüelas não foram muito graves, Graças a Deus, pois todos eles foram AVC isquêmico, que é um dos mais simples. Não quero correr o risco de ter mais um. Pode ser que, caso haja o próximo, eu não tenha a mesma sorte dos anteriores. Adoro a vida, o mundo e as pessoas. Desejo ficar por mais tempo nessa terrinha.
Essa revelação foi postada, com a única intenção de ajudar àqueles que têm idade próxima da minha e que, de uma forma ou de outra, já sentem a necessidade de diminuir um pouco o seu ritmo de vida.
É destinada também aos mais novos e aos muito mais novos. Eles precisam, desde cedo, despertar para a necessidade de administrar bem o seu tempo. E isso exige reflexão e constante reposicionamento, até encontrar a melhor forma de viver. qual seja, conciliar bem o sucesso profissional com o ser bem sucedido na família e no relacionamento com Deus.



José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

quinta-feira, 19 de abril de 2012

MEU DIREITO DE SER HETEROSSEXUAL!


        Essa afirmação, aparentemente desnecessária, e até certo ponto deveria ser, vem a propósito das transformações tão velozes que o mundo passa, alterando os usos e costumes de tal modo, que às vezes nos confundimos. Fruto da evolução do pensamento humano, a sociedade amadureceu muito. Isso é bom, bom mesmo. Não podia continuar retrógrada, por isso foi alterando as suas práticas, os seus conceitos, para acompanhar as grandes mudanças sociais, o novo tempo. Como toda mudança, há estranheza sobre o novo, provocando reações, desentendimento e, às vezes, até conflitos. Já escrevi neste blog sobre conflitos e inquietações diante de outros comportamentos sociais. Recentemente, assistimos na mídia a reação pessoal e em grupos, tanto nas ruas, como nos sites de relacionamentos, censurando fortemente a exposição feita por uma emissora de televisão da prática de sexo, ao vivo e em tempo real. Não cabe aqui, neste artigo, entrar no mérito. Mas, uma coisa é certa, a sociedade censurou a cena e clama por limites nas baixarias em alguns programas da televisão brasileira. Houve exagero, isso ficou bem claro. A sociedade reconhece a evolução da liberdade, mas clama por limites. Pois é, do mesmo modo, eu reconheço a importância e a beleza da atividade sexual; do respeito a quem resolveu ter uma vida diferente; da abertura de aceitar a opção sexual feita por quem sentiu a necessidade de assim fazê-lo; do tratamento respeitoso que a lei e os tribunais dispensam às opções sexuais. Tudo isso é muito belo. Por entender e pensar assim, não aceito discriminação dessas pessoas e repudio totalmente qualquer ato de violência contra elas, qualquer que seja a justificativa, pois reflete presença de ódio e rejeição, o que não devemos aceitar, por hipótese nenhuma. Contudo, uma coisa me inquieta. Trata-se do outro lado da moeda. Consiste na forma, subliminar e bem articulada, de supervalorizar quem fez uma opção sexual. Passou a ter status de autenticidade e de coragem, o que não deixa de ser, pois assumiu o que no seu interior clamava, mesmo enfrentando as adversidades de quem discordava. Todavia, os aplausos, o status de um ser superior e, às vezes, até o seu endeusamento, denotam em desconsideração aos que não tiverem necessidade de fazer opção por outra sexualidade, por estarem extremamente satisfeitos com a sua forma de viver. Nós, que optamos em continuar sendo o que somos, não aceitamos ser considerados “subprodutos”. Nós somos também corajosos e autênticos. Temos, também, o nosso valor. Merecemos, também, todo o respeito, consideração e admiração. Não nos inibam de continuar como somos. Não nos constranjam e nem nos diminuam. Somos heterossexuais por natureza e gostamos de ser assim. Que se respeite àqueles que fizeram opção sexual, tudo bem. Mas, pelo amor de Deus, não me tirem o meu prazeroso direito de ser homem heterossexual. Tenho orgulho de ser esse tipo de homem. E sou muito feliz assim. Não tenho nenhuma necessidade de fazer opção sexual. A minha sexualidade está correta e perfeita. Aceito igualdade de tratamento entre os que fizeram opção e os que não tiveram necessidade de fazê-lo. Mas, não aceito superioridade daqueles sobre estes. Se não dermos um basta na tendência e na insinuação mencionadas, já, já estará instalada entre nós a heterofobia.  

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Quando o engraçado é prejudicial

Rir é bom. O humor suaviza e embeleza a vida. O brasileiro é engraçado, o cearense mais ainda. Isso nos torna feliz e nos faz um povo alegre. Aula sem humor não dá; relacionamento sem alegria, nem pensar. Porém, levado ao exagero, o feito é inverso. O sábio Salomão escreveu, e a boa educação está a indicar, que há momento para tudo sobre a face da terra, dentre eles, o de rir e o de chorar. Esse comentário vem a propósito de certas posturas de pais e educadores, que diante de um ato delicado e perigoso, em vez de utilizarem a correção, preferem a cômoda posição de achar engraçado. Um exemplo típico desse procedimento ocorreu com os jovens que queimaram um índio, quando este se encontrava deitado em um banco de rua em Brasília. Eles disseram que não queriam matá-lo, mas apenas se divertirem. Ou seja, eles achavam engraçado ver um índio sair correndo com fogo em sua roupa. Com certa segurança, podemos afirmar que esses jovens, na época em que eram crianças ou adolescentes, foram “prestigiados” pelos pais, familiares e amigos no momento em que praticavam alguma “brincadeira” perversa. Esse achar engraçado significou para os jovens uma aprovação tácita e serviu como incentivo para outras práticas semelhantes. Esse tipo de “brincadeira”, com certeza, não teve início apenas quando praticaram com o índio. Por certo, foi iniciada de forma mais simples, com um pequeno pássaro, um indefeso animal, ou mesmo com um desprestigiado empregado doméstico. Daí para um índio o passo é pequeno. Ainda bem que nem todos os pais e educadores agem assim. Recentemente, uma criança gritava impedindo a sua babá de entrar na piscina para se divertir. Diante desse gesto grosseiro, a babá ficou tímida, com receio de entrar. Os que estavam assistindo, acharam a cena engraçada, por se tratar de uma criança que, apesar de ser muito pequena, já tinha tanta “moral” e autoridade. A mãe, porém, teve um olhar diferente. Na sua sensibilidade deu para perceber que algo tinha de ser feito, pois o momento era sério e oferecia uma fantástica oportunidade pedagógica. Não se intimidou com o “engraçado” e nem censurou os que riam da cena. Apenas, calmamente, se aproximou da criança e repreendeu o seu gesto. Esclareceu e orientou que ninguém tem o direito de tratar as pessoas dessa forma. A criança ficou calma, entendeu a mensagem, aprendeu a lição e aceitou a babá participar das brincadeiras. Ambos continuaram felizes, brincando na piscina. Cuidado gente com o engraçado. Por traz dele pode estar uma semente de maldade ou de arrogância.    

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

sábado, 14 de abril de 2012

Viver as perguntas

Toda vez que me deparo com algo muito significativo, gera em mim, automaticamente, uma vontade enorme de reproduzir e divulgar, para o mundo inteiro, aquilo que me deparei. Pode ser uma cena do cotidiano, uma foto expressiva, uma palavra que escuto ou um texto que leio. É com base nesse sentimento que produzo os meus artigos. E é por esta razão que mantenho o costume de, sempre que possível, dar espaço neste blog para postar textos que considerei bastante significativos. É o caso do artigo que reproduzo abaixo, publicado, nesta semana, no Jornal O Povo, de autoria da Professora Universitária, Ana Valeska Maia, com o título


VIVER AS PERGUNTAS


“Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver as respostas”, escreveu Rainer Maria Rilke em uma das cartas direcionadas a Franz Xaver Kappus, o jovem poeta. Após a leitura das cartas de Rilke, fiquei refletindo um bocado, recordando alguns momentos em sala de aula, quando foram lançadas perguntas aos estudantes. A reação comum consiste em querer apressadamente encontrar as respostas adequadas. “Calma, a resposta certa só chega quando você viveu intensamente a inquietação da pergunta”, costumo dizer. 

Viver as perguntas. Tarefa difícil em um mundo com tantas fórmulas de sucesso e felicidade. Ser feliz ultimamente parece ser uma obrigação e ficar triste uma ruína. “Por que deseja excluir de sua vida toda e qualquer inquietação, dor e melancolia, quando não sabe como tais circunstâncias trabalham no seu aperfeiçoamento?”, argumenta Rilke. 

Tenho observado como o barrar a angústia com medicamentos está na moda, para a alegria da indústria farmacêutica. Claro que existem muitos casos em que os remédios são necessários. No entanto, existem nítidos abusos no uso de medicamentos. Outro ponto de inquietação reside em observar pela cidade tantos anúncios de cursos que prometem transformar a vida da pessoa, com programas e ferramentas para “quem quer investir em si mesmo e mudar de vida”. Às vezes prometem fazer a grande transformação em um final de semana. 

Costumo desconfiar dos modismos com fórmulas fáceis. 

Afinal, viver é difícil. Somos mistério profundo porque somos o que lembramos e, sobretudo, somos o que esquecemos. Herdeiros do que não sabemos, do que não temos controle, aprendendo todos os dias a harmonizar o mundo de fora e o mundo de dentro. O mistério do caminho de cada um está também na essência da poesia incrustada nas perguntas, por isso é tão precioso vivê-las, olhando para dentro de si à procura das respostas verdadeiras. Essa tarefa nenhum outro pode realizar. Cabe, definitivamente, a cada um.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Expectativas sobre Fortaleza

A nossa querida cidade, a lindíssima Fortaleza, completa agora, no dia 13 de abril, os seus 286 anos de existência na condição de cidade. Os eventos comemorativos acontecem de múltiplas formas. Dentre elas, o Jornal O Povo resolveu dedicar, durante toda a semana, um grande espaço para curtir Fortaleza sobre os mais variados aspectos. Especificamente no dia 8, publicou, através de enquete, a opinião de profissionais, previamente escolhidos, sobre

                           Como você vê a Cidade no futuro?
Eu fui um deles e expus a opinião a seguir. Por favor, leia com carinho e faça o que puder, ok? Agradeço de coração.

Tenho duas expectativas. Uma encantadora e outra preocupante. O encanto, porque vislumbro que estará cada vez mais linda e o seu povo mais hospitaleiro e batalhador. O formato da nossa cidade, o seu entorno pelo litoral, as grandes avenidas, os prédios, as casas, os condomínios; o nosso verde, o sorriso de seu povo, a lindeza de nossa gente, a índole pacífica e humana, tudo isso garante que seremos sempre encantadores. O preocupante é a falta de planejamento por parte de nossos últimos administradores. Omissão muito prejudicial e que não é histórica, pois Fortaleza nasceu e deu seus primeiros passos e os passos seguintes de forma organizada, planejada. Expectativa só vale à pena quando gera atitude. Por isso, eu, nascido e criado nessa terrinha, me proponho a sensibilizar a comunidade para pressionar os nossos líderes pela celeridade no planejamento e clamar a nossa gente que não se descaracterize e permaneça sendo esse povo lindo por natureza.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

domingo, 8 de abril de 2012

De Geração em Geração

Perpetuar a nossa história e os valores que nortearam o caminho percorrido é a missão mais significativa da família; é a melhor forma da sociedade manter o cidadão consciente de sua existência e de seu futuro. Essa foi a forma que o Patriarca Moises utilizou para o povo Hebreu não se esquecer do que as gerações passadas enfrentaram junto aos egípcios e outros povos da época. Com isso desejava garantir que as futuras gerações tomassem conhecimento das lutas e tranqüilidades, vitórias e derrotas, alegrias e sofrimentos, escassez e farturas enfrentadas por seus antecedentes. Fazia isso de forma prazerosa, em todos os momentos, deitando-se e levantando-se; em todos os lugares, nos umbrais das portas e nos espaços da casa; um a um, no peito e no coração. Ainda hoje, no mundo oriental, o gesto é praticado. Mesmo no mundo ocidental, na década de 60, John Kennedy sentiu a necessidade de chamar a atenção da geração de sua época: “não pergunte o que a América pode fazer por você, mas sim, o que você pode fazer pela América”. Tal frase foi repetida pelo personagem principal, no final de um dos filmes Rambo. Kennedy sentiu, e hoje é latente, a comodidade dos americanos. Em meio à atual crise ficam a espera que o Governo faça algo por eles. Essa espera é bem diferente da geração que enfrentou a crise de 1920. Eles partiram para a luta, visando tirar a América dos sérios problemas que estava vivenciando. Conseguiram de maneira fantástica. A América superou tudo. Venceu!  Esse comentário vem a propósito das grandes conquistas que o Brasil vem obtendo. Já estamos na melhor fase e preste a penetrar noutra melhor ainda. Não comporta aqui dizer quais. Você sabe. Se não percebeu, pouco adianta dizer, pois a sua sensibilidade ainda não permite. Com o tempo perceberá. O fato é que os adultos sabem o que passamos; os jovens alcançaram boa parte, mas as crianças e os adolescentes não alcançaram. Vão crescer em um Brasil bem melhor. É possível que em volta dos anos 2050 estejam liderando o país. Todavia, se não passarmos para eles a nossa luta, corremos o risco deles desconheceram o caminho percorrido; de não entenderem a fase que passam e de terem enorme dificuldade de se prepararem para os desafios seguintes. Ainda bem que estamos em pleno pós-modernismo, que não defende uma ruptura com o passado, pelo contrário, entende que devemos superá-lo sem jamais apagá-lo, ou então, reinterpretá-lo, imitá-lo e celebrá-lo.  Vamos, pois, constantemente, lembrar aos nossos filhos e alunos, como o Brasil era, as duras transformações que passamos e os passos largos que estamos dando em busca de um Brasil cada vez melhor. Essa missão é nossa e devemos cumpri-la prazerosamente.



José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

segunda-feira, 26 de março de 2012

Compreendendo a Fragilidade Humana


Analisando a conduta do ser humano, inclusive a minha própria, fico impressionado como somos submissos às inclinações do corpo e facilmente cedemos aos desejos por ele sugeridos. Como educador, deparo-me muito com pessoas que passam por problemas dos mais variados. Quase sempre, a origem deles é a prevalência dos instintos humanos sobre os nossos valores morais e éticos. Rapidamente se joga fora lindos projetos de vida por um momento de prazer. Essa é a face da fragilidade humana!
Vejo também que o problema não é novo. Na Bíblia encontramos a história de Ezaú, o irmão de Jacó, que não resistiu à fome e trocou a sua primogenitura por um cheiroso bife que seu irmão Jacó estava preparando. Davi, o valente guerreiro, não resistiu o desejo sexual quando viu a mulher do soldado Urias tomando banho.
A solução para este tipo de problema também não é nova. Trata-se do exercício do controle da vontade. É a prática do domínio próprio. O povo oriental se utilizou muito dessa estratégia, inclusive ingerindo ervas, mesmo sendo amargas, como forma de controlar o prazer. A Bíblia é rica em recomendações sobre o freio, o controle e, principalmente, a educação do desejo. Esse é o caminho para superar a fragilidade humana e nos tornarmos pessoa forte, segura e valorosa.
A dicotomia existente entre o desejo da carne e a vontade do espírito, até certo ponto, é natural. Todos nós estamos sujeitos a esse conflito. Afinal, somos constituídos de corpo e espírito, isto é, vivemos com um corpo que é temporal e, ao mesmo tempo, com o espírito que é eterno. Administrar, pois, a influência de cada um sobre o nosso modo de viver exige reflexão, cuidado, disciplina e dedicação. Esse é um dos maiores desafios para a criatura humana que deseja ter um padrão elevado de conduta e busca construir uma sociedade mais humana e um mundo melhor. Sabemos não ser fácil, mas com preparo se torna menos difícil. Isso explica porque oscilamos em nossa caminhada. Ora somos “bárbaros” e, às vezes, “romanos”; ora “selvagens” e, às vezes, “cidadãos”; ora plebeus e ora nobres; ora “brutos” e ora “finos”.
É visível, nos dias atuais, a maioria pensar, predominantemente, no sexo e em prazeres rápidos e fáceis. Estes, via de regra, prejudicam sobremaneira o bom relacionamento e até o próprio corpo. O que tem levado as pessoas a agirem assim, além da inclinação natural do próprio corpo, são os novos valores, conceitos de vida e o livre arbítrio. Com base nessa maneira de pensar, as pessoas buscam a liberdade plena, onde tudo é natural, não devendo, por isso mesmo, ser censurado ou reprimido. É um constante viver em busca do “prazer”, como se o autêntico prazer estivesse nessa liberdade.  
Mas, por outro lado sinto, também, que  há uma quantidade enorme, e crescente, de pessoas que buscam, com muita sinceridade, uma vida mais respeitosa e digna. Existem ainda, graças a Deus, muitos que, mesmo reconhecendo as dificuldades, alimentam o desejo de levar a sério sua vida espiritual. Quando se deparam com os fortes apelos da carne, procuram utilizar o domínio próprio,e optam pela conduta mais inclinada para a seriedade, primando assim pelos valores mais elevados.
A verdade é que, ao longo da minha existência, aprendi muito a entender que essa luta interior realmente existe. Como resultante dessa aprendizagem, entendi porque ora estive fraco e ora mantive-me forte. Aprendi também a entender e estar junto daqueles que ainda têm grandes dificuldades de controlar seus desejos. Entendo que eu ou você e toda pessoa que já atingiu certo amadurecimento espiritual, por ter passado (embora ainda passe) por fortes apelos de prazeres momentâneos, mas, mesmo assim, conseguiu sair-se bem, adquirindo assim uma boa dosagem de domínio próprio, deve dedicar-se a orientar e ajudar aos que ainda têm dificuldade de resistirem esses apelos. Todo esforço nesse sentido é muito válido e pode ajudar as pessoas a encontrarem o caminho que conduz à felicidade verdadeira. Caminho este que não é constituído apenas de desejos sexuais e prazeres momentâneos, dos quais estão incluídos, além de outros, sexo, bebida, droga e até estilo alimentar, mas também, e muito, de prazer, sensualidade e de amor mas em escala bem mais alta, que inclui respeito, responsabilidade e compromisso, consigo próprio, com a vida, com o outro e com Deus .
Todavia, é necessária que aquele assim se dispõe, saiba que a sua participação deve ser bem feita. Precisa ser com a autoridade de quem já adquiriu experiência, com a humildade de quem permeia pela sabedoria e com a alegria de quem é feliz. Portanto, sem a arrogância de quem acha que pode ensinar o mundo a viver e pensa que detém a sabedoria. Com esses cuidados, ai sim, podemos tentar passar para essas pessoas, um pouco da nossa experiência e daquilo que aprendemos sobre os verdadeiros valores da vida. Digamos isso para as pessoas de nossa convivência, para aquelas que amamos e para quem Deus colocar em nossa frente. Elas precisam ouvir mais sobre a vida plena, sobre o verdadeiro amor.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ajudando a Superar Limitações


Limitação é algo inerente ao ser humano. Todos têm, embora uns mais e outros menos. Muitas dessas limitações existem desde o nascimento e outras, nós adquirimos no decorrer da existência. É o caso de quem nasceu com ausência de um braço ou apenas com deficiência e o que nasceu com os braços normais, porém por desastre ou doença perdeu o braço ou teve alterado o seu funcionamento. Até ai todos somos iguais, não tivemos participação pessoal na situação. O que nos faz diferente um dos outros é a forma como trabalhamos as próprias limitações. Enquanto uns se abatem muito e outros, pouco, há também os que tentam superar e os que se acomodam. Há ainda, aqueles que só perceberam as limitações de ordem físicas, mas desconhecem as emocionais. Qualquer que seja o tipo de limitação, em si ou no outro, nós que educamos temos a obrigação de ficar atentos a algo que é muito importante: o desafio de superar as limitações. Elas existem, todos precisam conviver com elas e, o mais significativo, necessitam de apoio para administrá-las bem. Os exemplos são enormes de pessoas que superaram bem as limitações físicas, mesmo as que foram adquiridas já com certa idade. Mas, não tem a mesma dimensão os exemplos de pessoas que superaram as suas limitações subjetivas. Estas quase não são percebidas pelos demais e, às vezes, pela própria pessoa. É o caso, por exemplo, de pessoas muito tímidas ou inseguras. Elas são limitadas nessa área e sofrem com isso. A responsabilidade de quem convive com essas pessoas é muito grande. Nós que somos pais, educadores, parentes e colegas delas, não podemos ser indiferentes a essa situação. Sem muito destaque e desprovido da aparência de misericórdia, devemos ajudá-las a superar tais limitações. A verdade é que, na maioria das vezes, não sabemos como proceder ou achamos que sabemos e agimos de modo errado. É o caso de pais ou educadores que se limitam a dizer “você tem de superar essa timidez e insegurança”, “se você continuar assim não vai vencer e nem ter amizades”, “veja fulano, é comunicativo, está sempre conversando, demonstra estar feliz, e você ai, morrendo pelos cantos”. Nada mais cruel! Isso não ajuda em nada e atrapalha muito. Semelhante aos primeiros passos e as primeiras palavras, momento em que a criança está diante de mais um desafio, necessitando do apoio e da aprovação dos demais, assim os que têm limitações, mesmo que sejam adolescentes, jovens ou adultos, cada um precisa também do mesmo apoio e incentivo que receberam quando estavam aprendendo a falar e a andar. Muito carinho com os quem demonstram timidez e insegurança. Estar junto deles, compreendê-los e ajudar nos passos para a superação é uma atitude das mais nobres de quem educa.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com

terça-feira, 6 de março de 2012

Evitando romper os limites da virtude

Deparo-me, de vez em quando, com pessoas que possuem virtudes, mas mesmo assim são extremamente infelizes. Essa constatação, por um bom tempo, deixou-me perplexo e meio decepcionado. Tinha dificuldade de aceitar o fato de uma pessoa ter determinada virtude e essa mesma virtude lhe causar infelicidade. Ora, se a virtude é algo precioso e trata-se de um dom concedido por Deus ao ser humano, como pode essa virtude ou esse dom causar infelicidade? Não podia entender a duplicidade de uma pessoa ser virtuosa e ao mesmo tempo infeliz. Para compreender melhor a origem da minha perplexidade, cito alguns casos que presenciei e tive que acompanhar.
Uma mãe de aluno adorava levar os filhos para a escola, para o inglês, ginástica, trabalho de equipe, festa e outros compromissos. Programava tudo bem direitinho. Sempre que conversava com as pessoas não se esquecia de exaltar o seu dom de levar e trazer seus filhos para diversos lugares, sem se aborrecer, sem se cansar e sem erros E assim foi por muito tempo No entanto, depois, quando os filhos não precisavam dela para se locomover, pois já haviam crescido, sentia-se infeliz, frustrada e sem reconhecimento, questionando se havia valido a pena ter feito o que fez. O vazio existencial era enorme. Sofria muito com isso.
Um aluno sempre gostava de cooperar em casa com todos. Era responsável e muito exemplar. Sempre que havia problema, ele cedia o seu espaço ou algo, para evitar confusão. A sua virtude maior era compreender, ceder e cooperar. Gostava de ser assim. Vivia feliz. Depois começou, a mudar e já não era o mesmo. Tornou-se um problema. Passou a ser agressivo, sempre demonstrando decepção com a situação e desânimo em voltar a ser o que era. Cansou de ser prestativo e cooperador. Sentia-se explorado.
Um colaborador procurava desempenhar bem as suas funções, compreendia todos os problemas da empresa, cooperava com seus colegas e, por ser assim, era muito procurado. Trabalhava demasiadamente para suprir deficiência da empresa, do serviço e das pessoas. Gostava de ser assim e era muito feliz. Depois mudou, passou a acreditar que o mundo era “cão” e que a vida era uma loucura. Perdeu a vontade de servir e a infelicidade tomou conta de seus sentimentos. Pendeu para o egoísmo e a indiferença tomou conta do seu coração.
Podia citar muitos outros casos, mas esses já são suficientes para completar o meu raciocínio e dizer as conclusões a que cheguei ao analisar esses e outros casos.
1-    A virtude é uma bênção em si e quem a possui deve exercê-la em toda plenitude.
2-    Todos têm virtudes e cada um deve procurar identificar as suas. Ninguém é desprovido de virtude. Apenas uns têm mais e outros menos.
3-    Das virtudes que temos, umas são mais fortes em nós e nessas devemos nos aprofundar e nos aperfeiçoar; outras são menos percebidas e, por isso, devem ser exercitadas mais ainda.
4-    Deus foi quem nos formou e é quem nos sustenta. A Ele devemos nos dirigir diariamente para nos orientar nas descobertas e no exercício das nossas virtudes.
5-    A pessoa ao exercer as suas virtudes corretamente, torna-se feliz e proporciona felicidade aos outros.
Há dentro de cada um de nós um mundo pequeno, o mundo interior. Ele é só nosso, é a nossa própria vida. As virtudes surgem daí. Apenas esse nosso mundo com o tempo extrapola e apresenta-se lá fora. E ao ter contato com o mundo exterior pode obter reconhecimento ou não. Havendo reconhecimento, a vida se torna encantadora. Se não há, no início não é problema, pois temos capacidade de superar obstáculos e contornar insucessos, sem prejudicar o nosso mundo interior. Contudo, essa resistência a problemas vai bem só até determinada faixa. Ultrapassando essa faixa, passamos a trabalhar alem do limite de nossa capacidade de contornar divergência. E nesse caso, a persistir, mesmo sendo uma virtude, ela se torna um problema. Assim, sempre que a virtude começar a lhe causar aborrecimentos, angústias ou recalques, procure recuar um pouco. Pode ser um sintoma, alertando que algo está errado e os limites de ceder não foram respeitados. Se não administrar bem essa fase, você corre o risco de transformar a sua virtude em um problema. Esse problema acaba gerando em você outros problemas, até implantar um forte sentimento de fracasso. Cuide bem de suas virtudes. Elas são preciosas. Existem para serem cultivadas e bem utilizadas. Fazem parte dos planos de Deus para tornar a vida mais bela. A sua e das pessoas com quem você convive.

José Milton de Cerqueira
Educador e Advogado
jmcblogger@gmail.com